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70 anos de uma vida energética

Por Marina Verjovsky

O Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ está em clima de festa. O motivo é a celebração do aniversário de 70 anos de seu fundador, o Professor Leopoldo de Meis. Dezenas de ilustres pesquisadores de diversas partes do país (e de fora também) já confirmaram presença no evento. Juntos, eles relembrarão a história pessoal e profissional deste grande mestre da bioenergética, que também promove encontros formidáveis da ciência com a educação e com a arte.
A comemoração acontecerá nos dias 13 e 14 de março, a partir das 8:30h, no Auditório Rodolpho Paulo Rocco do CCS, Ilha do Fundão.

Um breve resumo dessa história

Filho de italianos, Leopoldo de Meis nasceu em março de 1939, no Egito. Poucos meses depois sua família retornou à Nápoles, mas não tardou até a Segunda Guerra Mundial despontar. Devido às dificuldades da guerra, veio com os pais para o Brasil quando criança. Aqui permaneceram e, aos 18 anos, escolheu o país como sua pátria enquanto ingressava na faculdade de medicina da então Universidade do Brasil (atual UFRJ).

O jovem universitário estagiou com o Dr. Walter Oswaldo Cruz, devido à remuneração financeira. Demorou alguns anos para desistir de se tornar um cirurgião ou clínico e perceber na ciência sua verdadeira vocação. Graduou-se em 1961 e, devido à repressão da ditadura militar, viu-se obrigado a sair da Fiocruz para trabalhar na universidade, junto aos Drs. Carlos Chagas Filho e Antônio Paes de Carvalho, entre outros. No final dos anos 70, assumiu cargo de professor de bioquímica da UFRJ e ingressou no então Departamento de Bioquímica Médica (que integrava o Instituto de Ciências Biomédicas). Mais tarde, teve importante atuação no processo de transformação que culminou na fundação do Instituto de Bioquímica Médica, em 2004.

A pesquisa no laboratório

De Meis pesquisou a hemostasia de vasos sangüíneos com o Dr. Walter Oswaldo Cruz, mas se interessou pela contração muscular no laboratório de Paes de Carvalho. Lá, determinou o papel de duas substâncias (espermina e espermidina) no relaxamento muscular. Foi no estudo destas substâncias que surgiram os questionamentos sobre o transporte de Cálcio destas células, que resultou em temas para anos de pesquisa.

Atualmente, se dedica ao estudo dos mecanismos de transdução de energia em sistemas biológicos, transporte ativo de íons e síntese e hidrólise de ATP (adenosina trifosfato).

Ciência com educação e arte

Há cerca de 20 anos, De Meis se dedica ao ensino de ciências nas escolas. Junto com alunos e colegas, começou a lecionar cursos de férias para estudantes carentes e, mais tarde, também ofereceram cursos para professores de biologia. O projeto já realizou cerca de 60 cursos freqüentados por quase mil professores do ensino fundamental e médio e mais de 2,6 mil alunos do ensino médio. O sucesso da iniciativa motivou a implantação do modelo em outras dez universidades do país.

As atividades nas escolas despertaram em no pesquisador uma grande preocupação: a má qualidade dos livros de biologia das escolas. Ele buscou, então, jovens artistas dispostos a formular novos materiais educativos que mostrassem uma nova face mais atrativa da ciência. De sua parceria com o artista plástico Diucênio Rangel surgiram dois livros em quadrinhos (O método científico e A 1ª lei da termodinâmica), dois filmes (A mitocôndria em 3 atos e A contração muscular) e uma peça de teatro sobre o método científico.

A paixão pelo trabalho rendeu a Leopoldo de Meis centenas de artigos publicados, dezenas de títulos e prêmios, além da perpetuação de sua 'fagulha científica' na formação de dezenas de alunos.

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