Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Financiamento dobrado

Por Marina Verjovsky

O II Simpósio de Oncobiologia trouxe boas notícias aos membros do Programa. O coordenador do programa, Dr. Marcos Moraes, afirmou que conseguiu, junto à Fundação Ary Frauzino, dobrar o orçamento destinado aos pesquisadores ainda este ano. O dinheiro extra será para melhorar a infra-estrutura dos laboratórios, com a compra de computadores e redes de internet sem-fio. Além disso, o evento foi marcado pela troca científica, com abertura de novas portas para colaborações.

As primeiras possibilidades de troca surgiram logo no primeiro dia, nas apresentações dos convidados externos. Depois de um resumo de suas carreiras e resultados científicos, Sérgio Verjovski-Almeida e Ricardo Brentani instruíram os membros do Programa a como ter acesso ao seqüenciador de DNA de nova geração 454 GS FLX da Roche, instalado no laboratório de Sérgio, e ao banco de tumores com mais de 12 mil amostras do Hospital A. C. Camargo, presidido por Ricardo.

No segundo dia do evento, o Simpósio contou com mais um convidado externo: Luiz Felipe Ribeiro Pinto, pesquisador da Uerj e coordenador da pós-graduação em oncologia do Inca. Ele mostrou como o chimarrão causa câncer de esôfago. Sua equipe identificou que a erva mate não contém nenhum agente cancerígeno, mas que a água quente (a 70ºC), consumida diariamente em associação a compostos cancerígenos provenientes do tabaco, provoca câncer de esôfago em duas espécies de camundongos. No entanto, sua equipe descobriu que basta diminuir a temperatura da água para 60ºC para prevenir o aparecimento da doença nos animais.

No mesmo dia, diversos pesquisadores do Programa apresentaram os resultados de suas pesquisas. Stevens Rehen mostrou vários resultados novos, como a ação da caspase 3 e 9 na perda e ganho de cromossomos de células-tronco embrionárias e como isso pode influenciar na sua  diferenciação em neurônios. Sua equipe também identificou uma forma mais eficaz de diferenciar essas células em neurônios, com a ajuda de substâncias de uma planta típica do nordeste, conhecida como catingueira. Além disso, seu laboratório desenvolveu biorreatores que são muito mais eficientes para a multiplicação de células-tronco embrionárias humanas do que o cultivo em placas.    

Vivaldo Moura Neto apresentou resultados em glioblastoma humano, na busca por aperfeiçoar o diagnóstico da doença para melhorar as intervenções terapêuticas e cirúrgicas. Seu grupo observa como os neurônios interagem com as células da glia e o glioblastoma e as interações entre o tumor glial e o endotélio.

Em seguida, Janaína Fernandes, a ganhadora da bolsa de pós-doutorado Vivi Nabuco, mostrou os desdobramentos da pesquisa com o ácido pomólico, uma substância com efeito contra tumores resistentes a múltiplas drogas, identificada da planta abajerú e já patenteada pela equipe de Cerli Rocha Gattáss. Este ano, este grupo procurou identificar qual o exato alvo da droga dentro das células-alvo. Eles identificaram que a substância induz perda de potencial das mitocôndrias nas células de leucemia melóide aguda, seguida de fragmentação do DNA e apoptose.

Dois pesquisadores falaram sobre o papel da coagulação sangüinea no câncer. Robson Monteiro, que mostrou que as microvesículas (fragmentos de membrana celular) de câncer são mais coagulantes que as originadas de células normais. Além disso, mostrou o resultado de sua equie com a substância Ixolaris, um antitrombótico que bloqueia o crescimento tumoral. Já Mauro Pavão apresentou dados com os análogos de heparina derivados de invertebrados marinhos, que atenuam drasticamente a metástase, sem os efeitos colaterais da heparina

Gilda Alves Brown, do Inca, mostrou resultados em secretoma de urina de pacientes com câncer renal e comparou-o com o de pessoas saudáveis para identificar marcadores ou alvos moleculares para novos fármacos. Tatiana Sampaio mostrou seus resultados na identificação da enzima responsável por quebrar a endostatina humana a partir do colágeno humano das células endoteliais não-tumorais

Por fim, Isabel Rossi falou sobre o trabalho de sua aluna de doutorado Ana Paula Dantas de Barros, ganhadora do prêmio de melhor pôster do II Simpósio de Oncobiologia. Ele consiste na caracterização de uma nova forma de cultura de células-tronco hematopoiéticas, de forma que mimetize com mais precisão as condições naturais e evite experimentos com animais. Assim, a equipe desenvolveu esferóides - microtecidos que reproduzem algumas propriedades importantes do microambiente da medula-óssea, como a quiescência. Com esse modelo, o grupo analisou a migração do câncer de mama para medula, em detrimento de outros tecidos e o papel da via canônica de WNT no aumento da malignidade de tumores não-invasivos.  

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