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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

A hora e a vez da metástase de câncer de próstata

por Luisa Picanço

O câncer de próstata (PCa) é o mais frequente entre homens nos Estados Unidos e o segundo mais frequente no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. É sobre este câncer masculino e o aparecimento de metástases que se desenvolverá o projeto de Eliane Barros, bióloga e doutoranda em Ciências Morfológicas pela UFRJ, recém agraciada com a bolsa de pós-doutorado da Fundação do Câncer do Programa de Oncobiologia. O trabalho será desenvolvido no Laboratório de Interações Celulares da UFRJ, sob a coordenação do Professor Luiz Eurico Nasciutti.

De acordo com Eliane, pelo menos um terço das lesões de PCa se tornam metastáticas, aparecendo principalmente em linfonodos e ossos. As chamadas lesões metastáticas prostáticas também podem acometer pulmões, fígado, glândulas adrenais e até o cérebro. É mais precisamente no parênquima cerebral que se desenvolverá o estudo de pós-doutorado de Eliane.

“Atualmente, os esforços do trabalho se concentram na compreensão das bases celulares e moleculares que permitem às células tumorais metastáticas prostáticas superarem com êxito os mecanismos de defesa da neuroglia e conseguirem colonizar o microambiente cerebral” explica a pesquisadora.

O projeto propõe estudos in vitro e in vivo para tentar explicar a interação das células metastáticas prostáticas com as células do tecido cerebral. Também está prevista a análise da expressão e da função dos genes nas células tumorais prostáticas antes e após as interações com os astrócitos (tipos de células mais abundantes da neuroglia) e o possível envolvimento destes genes com a progressão tumoral.

“Pretendemos correlacionar os dados clínico-patológicos de pacientes acometidos por lesões metastáticas cerebrais de PCa com os achados moleculares de expressão gênica do modelo estabelecido e desenvolver um modelo murino (modelo em camundongos)” explica Eliane sobre os futuros passos da pesquisa.

O desenvolvimento do projeto possibilitará o conhecimento de um lado menos popular do tumor: a biologia e as bases moleculares contidas na metástase cerebral do câncer de próstata. “Os avanços que podem ser obtidos em relação a essa face obscura do carcinoma prostático serão de grande valor para uma possível triagem no momento do diagnóstico e para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para prevenir a metástase cerebral em pacientes acometidos por PCa” afirma Eliane.

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