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Estudo sugere caminho para diminuir resistência em metástases de melanoma

Um estudo coordenado pelo Professor Bruno Diaz, do Laboratório de Inflamação da UFRJ, mostra como o microambiente celular pode influenciar terapias de melanomas. O estresse oxidativo provocado por alterações no microambiente em torno do tumor pode induzir adaptações nas células tumorais que as tornam mais aptas a sobreviver na circulação e colonizar sítios distantes, provocando metástases, e tornando-as resistentes ao tratamento com quimioterápicos.

“O melanoma é um problema de saúde pública e é facilmente tratável nos estágios iniciais. Quando se torna metastático, o tratamento é difícil, pois nesta fase o melanoma se mostra muito resistente aos tratamentos terapêuticos comuns” explica o professor sobre a motivação da pesquisa.

O melanoma é proveniente da transformação maligna de melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, proteína que tem como característica ser responsável pela pigmentação da pele, entre outras funções. Uma característica comum das células do melanoma em qualquer estágio é que continuam a produzir a melanina. A hipótese do grupo envolvido neste estudo é que essa manutenção da produção de melanina pela célula do melanoma ocorre porque deve dar uma vantagem adaptativa a essa célula tumoral.

O estudo foi feito inicialmente in vitro, em uma cultura de células, onde a célula tumoral cresceu livremente. Nesse ambiente, foi observado um aumento da produção de melanina quando se retirava a glicose do meio. Essa ausência de glicose gera um estresse oxidativo na célula. A produção aumentada de melanina observada estava associada à redução de proliferação das células tumorais e limitação do estresse oxidativo, visto que a melanina age como um sequestrador de radicais de oxigênio.

Para estabelecer um modelo de estudo in vitro que reproduzisse o padrão de produção de melanina da massa tumoral crescendo no animal de experimentação, o grupo passou a cultivar as células sobre um gel de colágeno. Deste modo as células de melanoma produzem mais melanina, têm menor proliferação e são resistentes ao tratamento com quimioterápicos como acontece no modelo animal in vivo.

Sabendo que a melanina é produzida em sítios metastáticos, foi possível mapear o crescimento celular dos melanomas na pesquisa in vivo, com os nódulos metastáticos facilmente visualizados pela coloração escura. A suplementação da dieta dos camundongos com antioxidantes levou ao aumento do número de nódulos metastáticos o que confirma nossos dados in vitro. Estes dados criam a possibilidade de uma janela terapêutica onde os quimioterápicos teriam atividade contra este melanoma com proliferação aumentada, mas também coloca em dúvida o uso de antioxidantes na prevenção do câncer.

Essa possível janela terapêutica foi apenas confirmada em cultura, mas é possível que isso também ocorra em modelos animais, o que será o próximo passo da pesquisa. Ainda não se sabe como isso pode evoluir em uma pesquisa clínica, mas já é um passo rumo a uma resposta positiva de um tratamento terapêutico. Desenvolvido desde 2006, este projeto atualmente faz parte do Programa de Oncobiologia.

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