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Bioquímica Médica homenageia uma das pioneiras da ciência no Brasil

O aniversário de 90 anos de Ottilia Rodrigues Affonso Mitidieri, pesquisadora convidada do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM - UFRJ) e carinhosamente conhecida como "Dra. Ottilia", foi marcado por uma comemoração repleta de momentos emocionantes. No último dia 26 de março, Dra. Ottilia foi homenageada em uma cerimônia que relembrou e celebrou sua vida e brilhante trajetória na ciência.

O evento, que foi surpresa para Ottilia, teve a presença de seus amigos dos tempos da Faculdade de Química, da antiga Universidade do Brasil, além de seus filhos, demais familiares e ex-alunos. Foram compartilhadas algumas histórias inusitadas de "Tilinha", apelido da época da faculdade, como o encontro com o bando de Lampião e Maria Bonita, quando os amigos partiram de carona em um mochilão pelo Brasil afora. A comemoração, que lotou o auditório Leopoldo de Meis, certamente deixou muitos dos presentes emocionados.

Para marcar a data, a professora Vivian Rumjanek anunciou que o laboratório que coordena, e onde Dra. Ottilia trabalha nos últimos 20 anos, passará a se chamar "Laboratório de Imunologia Tumoral Ottilia Affonso Mitidieri".

Pioneira da ciência no Brasil

Em janeiro de 2014, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou a terceira edição das Pioneiras da Ciência do Brasil. Dra. Ottilia foi uma das pesquisadoras reconhecidas.

De acordo com o CNPq, o objetivo dessa iniciativa é dar visibilidade às mulheres e suas contribuições para determinada área de conhecimento, tendo em vista que, muitas vezes, as participações femininas foram menos reconhecidas em função das relações de gênero. Para esta terceira edição, o CNPq recebeu indicações oriundas de universidades e instituições de todo o país.

Vida e carreira

Quando jovem, Dra. Ottilia decidiu tornar-se química, uma carreira pouco comum para as mulheres da sua época. Como outros estudantes que aspiravam ingressar em uma faculdade, passou insone, noites e noites, estudando e consolidando os conhecimentos adquiridos. Mas chegou o dia da prova e com ele a vitória conquistada: Escola Nacional de Química (ENQ).

Após a formatura, em 1953, ela decidiu fazer um curso de Bioquímica no então Instituto Oswaldo Cruz (IOC), hoje unidade da Fiocruz. Ao subir as escadas do Castelo Mourisco, viu-se entrando num templo sagrado e foi assim que se sentiu durante o tempo em que esteve no IOC - respeitando e admirando os grandes mestres que lá se dedicavam integralmente à ciência. Ao término do curso, foi convidada pelo Dr. Gilberto G. Villela para trabalhar no IOC. Outra emoção surpreendente e inesperada. Em seguida, prestou concurso público e para esta instituição foi aprovada.

Quando o IOC passou para o regime CLT, os que trabalhavam lá como estatutários não poderiam continuar. Dra. Ottilia teve que sair do querido Instituto, algo que representou um trauma em sua vida profissional. Ao sair, aceitou o convite do Instituto Nacional do Câncer, e reiniciou lá suas atividades.

Comemoração lotou auditório Leopoldo de Meis. Em primeiro plano estão os familiares e amigos da faculdade de Dra. Ottilia.

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