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Modificação genética de linfócitos T: nova terapia antitumoral

Quando um tumor começa a se desenvolver no organismo, as células de defesa do corpo reconhecem algumas substâncias dessas células tumorais e agem de forma a eliminá-las. Porém, esse processo nem sempre acontece de modo eficiente – e assim o tumor consegue crescer e se propagar. Uma nova terapia, que modifica geneticamente os linfócitos T, vem sendo desenvolvida com o objetivo de aumentar a eficácia da ação dessas células.

Martin Bonamino, pesquisador do Inca e da Fiocruz que coordena um grupo dedicado a este trabalho, explica que “a modificação genética dota os linfócitos de uma molécula chamada CAR – Receptor Químico de Antígeno – que reconhece especificamente as células tumorais e as eliminam”. O tratamento é feito com as células de defesa do próprio paciente.

Essa terapia vem apresentando resultados positivos contra as leucemias, principalmente em crianças. “Algumas pessoas não respondem muito bem ao tratamento quimioterápico, mas, após a imunoterapia, 90% delas passam a responder e conseguem eliminar a leucemia em poucos dias. Essa é uma taxa de resposta muito boa, mas resta compreender se estas taxas são sustentadas no longo prazo”, explica o pesquisador.

Em outros tumores hematológicos essa terapia também apresenta bons resultados. Em leucemias agudas de adultos e em linfomas os resultados também são satisfatórios – mais ou menos 50% dos pacientes respondem bem. Isso ocorre quando a resposta natural do organismo não é positiva.

O grupo de Bonamino estuda também outras modificações adicionais que podem ser feitas nos linfócitos T. “Algumas moléculas dos próprios linfócitos são usadas pelo tumor para desligar suas funções de defesa. Então, o que fazemos é ir até o genoma desses linfócitos e desligar os receptores que o tumor usa para fazer a célula de defesa ‘parar de trabalhar’. Vários tumores usam do mesmo mecanismo para desligar os linfócitos T, como, por exemplo, os tumores de pele, de pulmão, rim, entre outros”, explica.

Por enquanto, o grupo de pesquisa do Inca ainda não realiza testes com humanos, apenas in vitro e em camundongos. “Outros grupos já fazem esses testes clinicamente fora do país, mas temos um problema de limitação orçamentária no momento”.

Para o futuro, Bonamino comenta que um dos objetivos é editar outros genes que tornem esses linfócitos compatíveis com qualquer indivíduo. “Atualmente essa terapia é feita com linfócitos do próprio indivíduo, mas isso nem sempre é possível em um paciente muito doente. Pode ser que o paciente não tenha linfócitos saudáveis suficientes, ou pode ser ainda que ele não possa esperar os 20 ou 30 dias que é o tempo necessário para se fazer a manipulação”.

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