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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Glicobiologia é usada no estudo do câncer

Os pesquisadores do Laboratório de Glicobiologia da UFRJ, comandados pelos professores Lucia Mendonça Previato e José Osvaldo Previato, estão estudando formas de identificação do câncer por meio do estudo de açúcares. Na área, conhecida como Glicobiologia do câncer, a pesquisa revela potenciais marcadores de células com tumores, além de mostrar quando acontece em nível celular a resistência a determinada droga.

Para entender o assunto, primeiro é preciso saber que as células possuem açucares em suas membranas. Estes açucares são ligados por glicoproteínas. Esses processos de ligações são chamados de glicosilação. A célula só funciona bem se a glicosilação estiver funcionando também de maneira correta.

Quando se identifica na membrana celular uma alteração na ligação das glicoproteínas, identifica-se também que a célula se modifica, podendo ser, dependendo do padrão, um tipo potencial de célula cancerosa. Os pesquisadores do laboratório conseguem identificar esse padrão da glicoproteína alterada comparando linhagens de célula tumoral de próstata, pulmão ou mama com o padrão encontrado na célula normal.

“A ideia é um dia conseguir ter um diagnóstico menos invasivo e mais rápido” explica Lucia. Ela acredita que isso poderá ser uma realidade porque as glicoproteínas se formam e se modificam de maneira muito dinâmica e acabam servindo como biomarcadores quando são glicosiladas de forma alterada.

"As glicoproteínas do soro podem ser usadas como biomarcadores em várias doenças infecciosas e em doenças crônicas como o câncer." afirma Previato.

Esses estudos mostram que os açúcares são importantes na biologia do câncer e são caracterizados como glicobiomarcadores para prognóstico e diagnóstico.

Resistência a múltiplas drogas

A pesquisa tem mostrado que os açucares não são só biomarcadores na membrana celular, mas também estão presentes como marcadores na velocidade de reação (a chamada cinética) de uma célula quando ela é induzida à resistência de um tipo de droga. De acordo com Lucia, um dos maiores problemas no tratamento do câncer é a resistência as múltiplas drogas (MDR).

Sabendo que resistência a múltiplas drogas no câncer é considerada um processo multifatorial, o Laboratório de Glicobiologia, em colaboração com o pesquisador Leonardo Freire de Lima e com a Prof. Marcia Alves Marques Capella, estão obtendo resultados que evidenciam o aparecimento de uma glicoproteína oncofetal durante a cinética de indução de resistência a duas drogas com diferentes mecanismos de ação.

"No momento, duas linhagens de células derivadas do câncer de mama estão sendo utilizadas. A importância do estudo está relacionada com os dados obtidos durante a indução da resistência. Experimentos com outras linhagens e com outros fármacos estão sendo programados." finaliza Lucia.

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