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Mulheres que plantam tabaco estão mais expostas a doenças que plantadores do sexo masculino

Pesquisa feita em colaboração entre Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriu que mulheres que trabalham em plantação de tabaco podem estar duas vezes mais sujeitas a doenças derivadas da contaminação com nicotina, ingrediente presente no tabaco, do que agricultores homens. Marcelo Mota, pesquisador do Laboratório de Patologia Molecular, do Hospital Universitário da UFRJ, explica que hoje no Brasil, a produção de tabaco é elevada. “O país é o maior exportador de tabaco do mundo e o segundo em produção mundial”, diz Marcelo. E a cidade alagoana de Arapiraca tem uma importante área de produção de fumo de rolo.

Foi lá que pesquisadores da UFAL, preocupados com a saúde dos agricultores de fumo da cidade, começaram a coletar dados pessoais, comportamentais e ocupacionais dos trabalhadores, homens e mulheres. Também foi feita a coleta de sangue para a dosagem de diversos parâmetros bioquímicos e hematológicos.

A equipe da UFRJ, sob supervisão da Professora Maria da Glória C. Carvalho, no Laboratório de Patologia Molecular, ficou responsável pela genotipagem do DNA (processo para identificar pequenas regiões do DNA denominadas marcadores, que podem variar de acordo com cada indivíduo) dos participantes do estudo. Os pesquisadores queriam saber se existia relação entre mutações nesses genes e a ocorrência da Doença da Folha Verde do Tabaco (DFVT) nos agricultores participantes. “A DFVT é uma intoxicação aguda à nicotina que ocorre em grande parte dos agricultores de fumo, especialmente nos períodos de colheita, provocando sintomas como náuseas, vômitos, tonturas e tremores”, diz Mota.

A descoberta foi a de uma prevalência da doença bem mais alta em mulheres do que em homens, quase o dobro. Marcelo sugere que isso tenha relação ao tipo de tarefa realizada por cada gênero. “Em geral, os homens colhem as folhas no campo e as mulheres fazem a retirada das folhas do talo, são chamadas de destaladoras.” Além da doença do tabaco, não são conhecidas associações entre a absorção dérmica de nicotina e outras doenças, como o câncer.

Mesmo assim, é sabido que esse tipo de agricultor corre mais risco de desenvolvimento de câncer. “Os fumicultores (agricultores de fumo) estão expostos ao contato, tanto dérmico quanto respiratório, uma vez que fazem a aplicação dos venenos, a diversos tipos de agrotóxicos. A literatura científica já tem publicações relacionando o contato ocupacional com agrotóxicos e alguns tipos de câncer”, alerta o pesquisador.

“É interessante notar que a maioria dos fumicultores se dedica por várias décadas de sua vida ao cultivo do tabaco. Embora seja uma atividade sazonal, é um trabalho que se repete anualmente, por vários anos da vida do trabalhador, o que levaria a um efeito importante, por exemplo, para o possível desenvolvimento de tumores malignos”, finaliza Marcelo.

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