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Trombose e câncer oculto: uma relação que precisa ser desvendada

Os casos de trombose em pacientes com câncer são mais comuns do que se imagina. Vanessa Sandim, pós-doutoranda agraciada com a bolsa da Pro-Onco Fundação do Câncer para o período 2016-2017, estuda o que pode desencadear esse processo. O trabalho atual da pesquisadora investiga possíveis proteínas que estejam regulando a agregação plaquetária em pacientes com câncer.

Desde o século 19, diversos trabalhos relacionam casos de trombose à presença do câncer. Nesse contexto, as plaquetas exercem uma função importante. Já se observou que as células tumorais são capazes de induzir a agregação plaquetária, algo que pode gerar tromboses. Além disso, o aumento do número de plaquetas está associado à metástase tumoral e pior prognóstico dos pacientes com a doença.

As plaquetas também interagem com as vesículas liberadas pelas células tumorais. Mas o que são essas vesículas? “São partes da membrana ou de corpúsculos liberados tanto por células não-tumorais quanto tumorais. Nossa hipótese é que, se por acaso as vesículas liberadas por células tumorais forem pró-agregantes ou pró-coagulantes, isso pode acarretar um quadro de trombose no paciente”, explica Vanessa. Existem vários tipos de vesículas. Neste projeto, Vanessa dedica-se ao estudo de uma delas, que são os exossomos liberados por células de tumor de mama. Essas estruturas podem apresentar um papel importante na agregação plaquetária. “Quando as vesículas interagem com as plaquetas, algumas proteínas nas plaquetas são diferencialmente reguladas. Os exossomos podem carregar em sua membrana certas proteínas que ativam essa agregação”, continua. Muitos casos de trombose sem causa pré-determinada estão associados a tumores ocultos, que em geral são bem agressivos. “Qualquer tipo de tumor pode gerar este problema. Se não existe nenhum motivo aparente para o surgimento de trombose em determinada pessoa (como por exemplo sedentarismo, fumo e uso de pílulas anticoncepcionais), então deve-se desconfiar da existência de um câncer”, explica Vanessa.

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