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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Crise econômica afeta parceria entre UFRJ e Université de Bordeaux

Incentivar o intercâmbio científico e estimular a formação e o aperfeiçoamento de pós-graduandos e docentes é o objetivo do programa Capes/Cofecub que trouxe à UFRJ, no mês de março, o professor Rodrigue Rossignol, da Université de Bordeaux.

O professor francês tem como linha de investigação a regulação da função mitocondrial em câncer correlacionado a raras doenças. “Estudamos ciência básica para entender a função mitocondrial e estudos de modelo de câncer para chegar a um conhecimento metabólico, mas também identificar novos alvos e desenvolver drogas contra o câncer.” No Brasil, ele participou do curso de metabolismo sobre câncer, oferecido pelo Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis.

Mesmo satisfeito com a parceira entre a UFRJ e a Université de Bordeaux, o professor Rossignol disse ao Onconews estar preocupado com a sustentabilidade financeira do programa. Segundo ele, as dificuldades deste programa da Capes com o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil são em virtude da crise econômica que o país enfrenta. O financiamento de duas passagens aéreas por ano já está ameaçado. A princípio, dois cientistas brasileiros deveriam ir a cada ano para Bordeaux e dois deveriam vir de Bordeaux para o Brasil. Mas isso já tem sofrido prejuízos. "Mariana Rodrigues é uma das alunas que teve seu intercâmbio limitado, sem poder aproveitar completamente a troca de experiências. Assim como Nívea Amoedo, que não será mais financiada pelo CNPq.”

Rossignol acredita que esse intercâmbio com a UFRJ é uma excelente oportunidade para os alunos de doutorado que podem após a experiência, em muitos casos, conseguir um pós-doutorado na Europa. “Este ano, espero que o programa financie pelo menos os professores, mas os estudantes, que eu inclusive considero mais importantes, ainda teremos de esperar uma resposta.” E ainda ressalta: “estamos muito preocupados com o problema político atual que os cientistas brasileiros têm enfrentado. Na Europa, muitos dos cientistas e estudantes brasileiros tiveram suas bolsas de estudo cortadas. É muito maluco pensar que estão cortando bolsas de estudo. É um assunto que deve ser pauta nas políticas das universidades brasileiras, porque as parcerias internacionais são muito boas para os alunos, professores e claro para os próprios centros de estudo” finaliza o professor. O programa entre a UFRJ e a Université de Bordeaux tem duração estimada em cinco anos.

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