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Lançamento de livro relaciona postos de gasolina a problemas de saúde e câncer

Postos de gasolina podem ser perigosos à saúde das pessoas? É o que responde o livro "The health and environmental threats related to gas stations" (em português, Perigos à saúde e a ambientes relacionados a postos de gasolina) recém publicado e com editoria da pesquisadora Gilda Alves Brown, doutora em biologia pela UFRJ e integrante do Programa de Oncobiologia.

O livro descreve os riscos à saúde e ao ambiente relacionados com a exposição à gasolina. Nele, os autores, sete no total, falam sobre susceptibilidade genética, possíveis formas de monitoramento de postos e até medidas protetoras que devem ser tomadas, somando ao todo cinco capítulos sobre o tema. A publicação traz ainda o relatório de uma pesquisa de campo realizada pelos autores em 11 postos de gasolina no Rio de Janeiro. O resultado mostra que os riscos não se resumem apenas à saúde das pessoas e passam até por uma questão de segurança pública. Os autores esperam que o trabalho contribua para a prevenção de problemas de saúde de frentistas, assim como para alertar sobre possíveis formas de contaminação do solo e do ar em torno dos postos de gasolina.

A professora Gilda Brown alerta que o risco à saúde é grande e que o problema ocorre em todo o mundo. “O estudo tem um capítulo dedicado à discutir os postos de gasolina em outros países, o que dá a dimensão do problema” explica. Apesar do foco no território nacional, com uma amostragem maior do Rio de Janeiro, o livro apresenta por meio de ilustrações o risco desses estabelecimentos em outros países.

Entretanto, os maiores prejudicados com a exposição aos postos são: os frentistas; a população que vive no entorno; e eventualmente, quem frequenta esses lugares. “Existe risco aumentado de leucemia e de linfomas para aqueles que sofrem de exposição crônica à gasolina” relata Brown. “Temos constatado que os trabalhadores dos postos de gasolina não têm a total dimensão do risco que correm. Com frequência, eles não tomam todas as atitudes necessárias de proteção.”

O problema principal levantado no estudo é a falta de educação relacionada ao tema por parte do frentista, gerente do posto de gasolina e até dos usuários. A professora defende um processo de educação. Ela cita que no Brasil hoje existem cerca de 500.000 trabalhadores de postos de gasolina, segundo o sindicato da categoria. “Seria o caso de criar para esses frentistas uma escola técnica, o que não existe hoje. Esses profissionais precisam estudar e receber treinamento para diminuírem o risco à sua própria saúde e de contaminação ao ambiente. Há formas de diminuição do risco, no entanto, as regras de segurança são ignoradas muitas vezes.”

Os autores defendem a criação de leis para que os postos de gasolina tenham alertas semelhantes aos que os maços de cigarro trazem sobre os perigos à saúde. “São lugares que não devem ser vistos como um ambiente social totalmente seguro. Isso deveria estar explícito nos comerciais veiculados nas televisões de redes de postos de combustível, por exemplo” alerta.

Os postos de gasolina são heterogêneos e, segundo o estudo, merecem uma padronização em todo o território nacional. “Sabemos que existem, por exemplo, bailes funk em postos de gasolina cariocas. Esse é um exemplo de como as pessoas estão sem noção do perigo. Isso pode mudar com um trabalho de educação da população.”

Durante a pesquisa de campo no Rio, os pesquisadores ficaram impressionados ainda com um alerta do sindicato da categoria de frentistas, que os orientou sobre os postos que poderiam ir e os que deveriam evitar porque o local era perigoso. “Em alguns postos ocorrem atividades ilícitas e, com certeza, nós pesquisadores estaríamos incorrendo em risco de vida.” Ou seja, segundo a professora Gilda Brown, além dos danos sanitários, em alguns casos, postos de gasolina podem representar até um risco à segurança pública.

Os autores do livro, em ordem alfabética, são: Dr. Fabio Santiago, mestre em Medicina pela UERJ; Profa. Gilda Alves Brown, doutora em Biologia pela UFRJ, membro do Programa de Oncobiologia; Profa. Maria Helena Ornellas, doutora em Medicina pela UFF e também membro do Programa de Oncobiologia; Profa. Mariana Chantre Justino, doutora em Biologia pela UFRJ; Marianne Medeiros Tabalipa, mestre em Nutrição pela UFF; Prof. Thomas Liehr, doutor em Genética Humana pela Universidade de Erlangen-Nuremberga (Alemanha); e Profa. Ubirani Barros Otero, doutora em Saúde Pública pela ENSP, Fiocruz.

Os pesquisadores no momento acompanham trabalhadores de postos de gasolina que foram incluídos no relatório. A pesquisa do grupo continuará mesmo após a publicação do livro, já que este é um dos desdobramentos de anos de estudo da equipe. No momento, o grupo estuda o dano que a gasolina pode causar no genoma.

Detalhe para a capa do livro

 

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