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Estudo sobre resistência é premiado

A observação do comportamento metabólico de linhagens celulares de Leucemia Mieloide Crônica (LMC) sensíveis e resistentes a certas drogas foi um dos temas premiados durante a Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica (IC) da UFRJ, em 2015. Douglas Lemos Ferreira foi agraciado pelo melhor trabalho da sessão Bioquímica II e ainda conquistou o terceiro lugar na sessão interna do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM). 
 
Orientado pelo pesquisador Franklin Rumjanek, o jovem explica que o grupo do Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular do Câncer da UFRJ utilizou nos experimentos três linhagens celulares: a primeira, derivada da efusão pleural de pacientes com LMC em crise blástica, denominada K562. As outras duas foram sublinhagens derivadas da primeira e foram geradas a partir de uma seleção através dos quimioterápicos Vincristina e Daunorrubicina, sendo elas Lucena-1 e FEPS, produzidas no Laboratório de Imunologia Tumoral, do IBqM.


As três linhagens apresentam uma progressão à resistência, sendo a FEPS a mais resistente, afirma Douglas. Para esboçar o perfil do metabolismo dessas células, foram realizados ensaios de respirometria. Estes ensaios determinam quanto oxigênio é consumido pelas células tumorais, isto é, o quanto elas respiram. O grupo também quantificou DNA mitocondrial (mtDNA), além de terem realizado PCR em tempo real e, também, analisado a atividade de duas enzimas importantes para o metabolismo celular: Hexocinase-2 (HK2) e G6PDH (Glucose-6-phosphate dehydrogenase).


O trabalho mostrou que as células resistentes possuem um fluxo de oxigênio e uma quantidade relativa de mtDNA menor que a K562. Além disso, a atividade da enzima Hexocinase-2 não apresenta alterações significativas nas linhagens resistentes. Em relação a atividade da outra enzima, a G6PDH, os pesquisadores observaram um aumento significativo na FEPS em relação às outras duas linhagens. Douglas ressaltou que a proteína identificada como UCP2 tem se mostrado um importante alvo relacionado à quimiorresistência celular, além de apresentar um possível papel ligado ao Efeito Warburg.


Sobre o efeito Warburg, Franklin conta que este foi descoberto nos anos 20 por Otto Warburg e que mostrou que as células tumorais são essencialmente anaeróbicas, isto é, não precisam de oxigênio como as células normais. Wargurg então postulou que nessas células (tumorais) as mitocôndrias não eram funcionais. Hoje em dia, sabe-se que não é bem assim, afirma.


Além disso, as duas proteínas apresentaram resultados interessantes, que possivelmente podem influenciar a resistência dessas células. O grupo pretende fazer novos experimentos para ampliar a caracterização metabólica das três linhagens, assim como realizar ensaios que elucidem a relevância dessas proteínas na quimiorresistência.


“Em última análise, o que queremos entender é como funciona o metabolismo das células resistentes às drogas. Como ela faz para continuar viável mesmo em concentrações que matam as células sensíveis. O trabalho do Douglas mostrou que as células tumorais resistentes às drogas exibem um componente do metabolismo mitocondrial que está mais expresso do que nas células sensíveis. Ainda não sabemos exatamente como essa proteína ajuda nesse processo, mas possivelmente ela interfere na disponibilidade de energia. Ele também mostrou que as células resistentes liberam mais calor do que as células sensíveis. Esses são dados novos e que vão ajudar a montar o quebra cabeças. Uma possibilidade é a de que a energia extra possa estar canalizada para bombear as drogas para fora da célula,” conclui Franklin.

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