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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pesquisadora do Programa de Oncobiologia recebe prêmio da Bill & Melinda Gates Foundation

Juliana Maria Motta, pós-doutoranda do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da UFRJ, recebeu em outubro o prêmio da The Bill & Melinda Gates Foundation na categoria Young Investigator (pesquisador jovem). O prêmio é oferecido a cientistas de destaque em todo o mundo, em especial nas áreas de tecnologia e saúde.

O trabalho premiado investiga a diferenciação de células dendríticas a partir de monócitos do sangue. Estas células são importantes na formação de uma resposta imune específica, identificando e capturando agentes estranhos presentes no corpo humano. “Os tumores secretam no microambiente algumas substâncias que inibem as células dendríticas e outras células do sistema imune, o que facilita o desenvolvimento do câncer”, explica Juliana.

“Procuramos olhar as citocinas presentes em uma cultura de monócitos diferenciados em células dendríticas junto com produtos secretados por células de diferentes tipos de leucemia. Queremos analisar como estes produtos interferem com as células dendríticas. Por que é importante olhar as citocinas? Porque elas são secretadas tanto por células do sistema imune quanto por células tumorais e são mediadores da resposta imune. Se olharmos para o padrão de citocinas produzidas, conseguimos inferir o tipo de resposta imune que está sendo gerada, se é uma resposta de tolerância ao antígeno ou mais efetora, de combate”, continua.

Juliana observou neste trabalho que citocinas que favoreceriam a função e o desenvolvimento das células dendríticas foram encontradas em baixos níveis, enquanto outras que poderiam atrapalhar estão em nível mais alto. Existe então um desbalanço que acaba prejudicando a resposta imune do corpo humano. “Mais especificamente, notamos um aumento de IL-1β (interleucina 1 beta), que inibe a diferenciação de células dendríticas. Verificamos também redução de IL-12 (interleucina 12), que normalmente é produzida pela célula dendrítica ativada e que participa da ativação do linfócito T”.

Durante esta pesquisa, observou-se o microambiente tumoral de três tipos de câncer: a leucemia mieloide crônica, a leucemia promielocítica e o Linfoma de Burkitt, que afeta os linfócitos B. “Todos esses tipos de tumor inibem o desenvolvimento de células dendríticas, porém vimos que apenas a leucemia promielocítica não induz a produção de TNF-α (um grupo de citocinas que favorece a progressão do tumor). Ainda não sabemos o porquê”.

“Outra descoberta interessante é que as células tumorais produzem fatores anti-inflamatórios, como o TGF-β. Estes fatores são pró-tumorais porque bloqueiam a resposta imune efetora. As células tumorais estudadas produzem também fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), que é fundamental para que o tumor crie novos vasos e faça metástases (formação de tumores secundários)”, explica a pesquisadora.

Em suma, existe um conjunto de fatores que favorece o tumor e desfavorece as células dendríticas. Estes mecanismos são usados pelos tumores para escapar das respostas imunológicas.

O prêmio custeou a participação de Juliana no 11º Congresso da Associação Latino-Americana de Imunologia, em Medellín, Colômbia. Ela também participou, a convite dos organizadores, do curso pré-congresso Immune regulation in health and disease . A pesquisadora trabalha atualmente em dois laboratórios: o de Imunologia Tumoral, coordenado pela Prof. Vivian Rumjanek, e o de Bioquímica e Biologia Celular de Glicoconjugados, do Prof. Mauro Pavão.

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