Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Falta de organização no sistema de saúde aumenta a incidência de câncer de colo de útero no Brasil

O 53º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), realizado entre os dias 24 e 28 de agostos, teve como tema o “Controle do Câncer: novos horizontes”. As atividades científicas contemplaram diversas áreas de atendimento com a participação de profissionais de diferentes instituições com experiência internacional dos mais variados campos de pesquisa. 
 
Liz Maria de Almeida, epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), abriu o congresso fazendo um alerta aos profissionais de saúde durante a palestra sobre “Epidemiologia do câncer - discutindo a relação da epidemiologia com a clínica médica”. Liz explicou que o câncer de colo de útero está entre os cincos tipos de câncer com maior incidência no Brasil e que isso não deveria acontecer. 
 
“Os profissionais de saúde não podem deixar isso acontecer. Não é possível ter câncer de colo de útero nas nossas estatísticas. E mesmo assim ele está em primeiro lugar na região Norte. Nós temos hoje métodos de detectar lesões precursoras do câncer de colo do útero que podem ser tratadas antes do câncer acontecer. A causalidade atual do câncer de colo de útero no Brasil é graças a falta de organização no nosso sistema”, explica. Para ela é papel dos profissionais detectar as lesões no colo de útero de forma precoce e permitir que as mulheres brasileiras tenham acesso a esse diagnóstico e tratamento. 
 
Profissionais esses que também foram foco do curso “A Psicologia na Oncologia. Temas em destaque: comunicação e cuidado”, coordenado pelas psicólogas Janete Alves Araujo e Mariana Abreu Machado com abordagens sobre a comunicação de más notícias, a importância do luto e os cuidados necessários ao final da vida. 
 
Janete Alves, do HUPE, especialista em psicologia médica, explicou que o assunto do congresso é necessário para o estabelecimento de boas relações entre profissionais de saúde e pacientes oncológicos. “Como a gente percebe o crescimento do câncer, é extremamente importante chamar a atenção não só do médico, mas de todos os profissionais de saúde para esse tema” 
 
Esta também é a opinião de Mariana Machado, do INCA. Ela acredita que a formação de profissionais é importante para uma comunicação efetiva que a área de oncologia precisa. “A gente ainda tem muito avançar em relação à formação profissional de saúde na área de oncologia, no sentido de desenvolver competências e habilidades para fazer uma boa comunicação e com isso estabelecer uma boa relação médico-paciente. A comunicação é uma ferramenta para alcançarmos um cuidado integral e humanizado ao paciente oncológico e à sua família.” 
 
A presidente do congresso e membro do Programa de Oncobiologia, Maria Helena Ornellas, defende a necessidade de se discutir o tema de oncologia nos diferentes campos da saúde. “Um número importante de pacientes com câncer é tratado aqui no Pedro Ernesto. Como somos um hospital universitário, é importante trazer a discussão para os alunos de graduação e pós-graduação, de maneira que eles trabalhem e vejam o tema que nem sempre é obrigatório na grade curricular dos cursos de saúde.” 
 
Além do foco em multidisciplinaridade, o congresso também contou com a presença da idealizadora do Programa de Oncobiologia da UFRJ, a professora Vivian Rumjanek que apresentou a palestra “a resistência múltipla às drogas quimioterápicas”, um fenômeno onde tumores que inicialmente respondem a determinados tratamento quimioterápicos, adquirem resistência a drogas que podem ser ou não quimicamente relacionadas e os avanços nos estudos feitos pela equipe sob sua coordenação para reverter essa situação, como no caso da descoberta da ação da piperina, substância que desempenha sensibilidade colateral, ou seja, transforma células resistentes em sensíveis ao medicamento. Assim como Vivian, outros pesquisadores trouxeram temas ligados aos diferentes tratamentos oncológicos e às pesquisas desenvolvidas mais recentes, como por exemplo, “a biologia molecular do câncer” e os "novos horizontes em hematologia”.

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