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Câncer colorretal é foco de pós-doutorado agraciado com bolsa em 2015

O pesquisador João Marcos Delou, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, foi contemplado com uma das bolsas de pós-doutorado da Fundação do Câncer para o ano de 2015. Seu projeto, intitulado “Bases moleculares da carcinogênese colorretal associada à inflamação”, visa compreender melhor a biologia dos cânceres de cólon e reto. Estas doenças representam a terceira causa mais comum de morte por câncer no Brasil e no mundo.

O projeto de Delou possui três objetivos bem definidos. O primeiro é examinar o desenvolvimento do câncer colorretal em camundongos com e sem mutações no supressor de tumor p53. A p53 regula o reparo de DNA, e suas mutações estão presentes em mais da metade dos tumores conhecidos. “Uma das perguntas que tentarei responder é: se temos um tumor com mutações em p53, será que a população de células-tronco tumorais é maior ou não? A p53 pode regular as células do intestino a manter um perfil tronco?”, explica. Para este estudo será usado o marcador de células-tronco tumorais LGR5.

Além disso, sabe-se que a principal via tumorigênica do carcinoma colorretal é a Wnt/Beta-catenina. Trata-se de uma cascata de sinalização celular (existente em células normais e tumorais) que ativa a proliferação. “No modelo tumoral esta via fica hiperativada, e a célula nunca pára de se multiplicar. É isso o que acontece no desenvolvimento do carcinoma colorretal”, explica o pesquisador. O LGR5 é um dos genes ativado pela via Wnt/Beta-catenina. “Se conseguirmos desenvolver uma substância que iniba a ativação desta via, teremos um possível novo medicamento”, continua.

E é aí que entra o segundo objetivo do projeto, que é a investigação do possível papel antitumoral do flavonoide isoquercitrina. Ainda não se tem certeza de qual é sua ação. No entanto, trabalhos anteriores do grupo de José Garcia Abreu, do Instituto de Ciências Biomédicas, mostraram que, em culturas de células, este flavonoide inibe a via de Wnt/Beta-catenina sem afetar as células normais. “Durante meu pós-doc, vamos tratar um grupo de animais com isoquercitrina e observar que alterações ocorrerão. Os animais serão divididos em dois grupos: em um deles, o tratamento terá início logo que o tumor começar a crescer (grupo crônico); no outro faremos um tratamento agudo, que começará com o tumor bem avançado (grupo tardio)”.

O terceiro objetivo deste projeto de pós-doutorado é a produção de um vídeo de divulgação científica sobre o câncer de cólon e reto. “Os principais fatores de risco deste câncer são ambientais, como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada. É importante que as pessoas saibam como se prevenir e façam o acompanhamento periódico através de colonoscopia”, afirma o cientista. O vídeo será roteirizado, desenhado e animado pelo próprio pesquisador, e será cedido ao Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia.

João Marcos Delou, aprovado para uma das bolsas de pós-doutorado Pró-Onco Vivi Nabuco e Pró-Onco Fundação do Câncer

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