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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pesquisa investiga progressão de glioblastoma humano em camundongos

Priscila Biancovilli

O glioblastoma (GBM) é um tumor cerebral extremamente agressivo em seres humanos e caracteriza-se pela rapidez com que invade o sistema nervoso central. Um artigo recentemente publicado na revista BMC Cancer por um grupo de pesquisadores do Programa de Oncobiologia investiga a progressão do GBM humano no parênquima cerebral de camundongos, a partir de xenotransplantes de células tumorais. O objetivo do trabalho é compreender melhor a biologia do GBM e suas interações com o microambiente tumoral.

“Queremos também descobrir qual o papel das células do sistema imune contra o GBM. No meu caso em especial, eu estudo as células microgliais, que são os macrófagos cerebrais. Estas células fazem parte do sistema imune no encéfalo e na medula espinhal. Estudamos a interação da microglia com as células do glioblastoma. In vitro , já mostramos que a microglia, apesar de ser uma célula de defesa, secreta fatores pró-tumorais, favorecendo a proliferação e migração das células tumorais”, explica Flavia Lima, uma das autoras do artigo.

“Neste trabalho in vivo , o interessante é que a microglia proveniente do encéfalo do camundongo foi recrutada pelo tumor humano. Localizamos uma grande quantidade de células microgliais tanto na borda do tumor quanto no interior da massa tumoral”, continua.

Neste trabalho, caracterizou-se a progressão do glioblastoma humano no encéfalo de camundongos não-imunossuprimidos. “Fizemos análises por ressonância magnética e várias análises histopatológicas. Percebemos inúmeras semelhanças entre o crescimento do tumor no cérebro dos camundongos e nos humanos”, explica Flavia.

Existem outros trabalhos na literatura que analisam o glioblastoma em camundongos. Porém, o trabalho do grupo inova por ser mais abrangente. “Utilizando animais com sistema imune íntegro, pudemos acompanhar e investigar mais detalhadamente um intenso recrutamento de microglia e macrófagos. Assim como em seres humanos, o crescimento do GBM gera o rompimento da barreira hematoencefálica e a consequente entrada de macrófagos no tecido cerebral – característica evidenciada pelas imagens de ressonância magnética -, além da formação de gliose reativa, angiogênese e áreas de necrose no tumor. A maioria dos estudos anteriores faz uso de animais imunossuprimidos, o que altera substancialmente o resultado das pesquisas”, afirma a pesquisadora.

Este artigo resultou de um trabalho em conjunto com alunos e professores do Instituto de Ciências Biomédicas, do CENABIO e dos serviços de Anatomia Patológica e Neurocirurgia do Hospital Universitário da UFRJ.

Nova frente de pesquisas

“O comportamento do GBM e do microambiente onde o tumor cresceu foi muito similar ao que acontece no ser humano. Assim, a ideia é que nossa pesquisa possa servir como modelo para o estudo de novos fármacos contra o glioblastoma”, diz. E isto é necessário e urgente. Afinal, esse tumor é altamente resistente às terapias atuais, e a sobrevida média dos pacientes é de apenas 9 a 12 meses após o diagnóstico.

Leia o artigo completo aqui: http://www.biomedcentral.com/1471-2407/14/923

Grupo de pesquisa do Programa de Oncobiologia estuda o papel das proteínas microgliais na progressão tumoral

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