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Proteínas do veneno de serpente podem ser alternativas no tratamento do câncer

Os venenos de serpentes são constituídos de várias proteínas, e algumas delas geraram medicamentos usados no tratamento de doenças como trombose e hipertensão arterial. Alguns artigos já descreveram também a ação de proteínas deste veneno em alguns tipos de câncer, e um dos objetivos de um projeto coordenado pela pesquisadora e nova diretora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, Lina Zingali, é entender melhor este processo.

Este projeto, que foi contemplado com recursos do Pensa Rio, da Faperj, tem duas vertentes. De acordo com Lina Zingali, “um é o estudo dos venenos enquanto material biológico e instrumento para entender a própria serpente. Por outro lado, muitas das substâncias do veneno têm aplicações biotecnológicas. A outra vertente consiste em identificar e estudar as moléculas que teriam potenciais ações em células tumorais”.

Muitas das proteínas presentes no veneno interagem no processo de adesão celular. Para o tumor, a adesão é extremamente importante, tanto para o crescimento tumoral quanto para a metástase.

“Já existem na literatura alguns dados que mostram que algumas dessas moléculas impedem o crescimento tumoral, e elas são chamadas desintegrinas. Em algum processos elas inibem tanto o crescimento quanto a invasão tumoral. Por isso, decidimos estudar também estas moléculas”, explica Lina. Alguns estudos já mostraram que as desintegrinas impedem a metástase do melanoma no pulmão.

“Porém, a quantidade desta substância no veneno da serpente é muito pequena. Precisamos de uma quantidade maior e que elas estejam também mais purificadas. Então expressamos estas moléculas em sistema heterólogo”, continua.

Essas substâncias são produzidas através de engenharia genética. Uma bactéria é geneticamente modificada para que consiga produzir esta proteína, e depois a substância é purificada.

Tumor de mama

O pesquisadores do laboratório de Lina trabalham com células de tumores de mama. Por isso, eles também iniciaram um projeto de proteoma da célula tumoral e, com o passar do tempo, passaram a analisar a membrana das células tumorais de mama. “Pegamos duas linhagens de células de tumor de mama, uma mais agressiva (HCC1954) e outra menos (MCF7). Estudamos apenas as proteínas de membrana através da proteômica. Os resultados estão saindo agora. O que está na superfície destas duas células é diferente. A superfície das células mais agressivas possui mais integrinas. Se acharmos a desintegrina certa, ela será capaz pelo menos de bloquear o processo de adesão destas células tumorais”.

Porém, encontrar a desintegrina correta não é simples, e este é o próximo passo do projeto. “A próxima pergunta a ser respondida é: o que essas desintegrinas vão fazer quando se ligarem nas integrinas do tumor?”, explica Lina.

Colaborações

Este projeto contemplado pelo edital Pensa Rio conta com a participação de pesquisadores de diferentes instituições, como INCA, UERJ, UFF, UFRJ e Instituto Vital Brazil. Recebeu recursos da Fundação do Câncer, Capes, Faperj e Cnpq.

O veneno da serpente, ao contrário do que o senso comum imagina, contém substâncias benéficas para a saúde humana. 

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