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Estudo mostra relação entre cromatina e desenvolvimento do câncer de mama

Journal of Cellular Biochemistry apresenta dados inéditos na área do câncer de mama. A pesquisa desenvolvida pelo cientista Gilson Santos Junior, que faz pós-doutorado no Laboratório de Biomoléculas (bioRMN), no Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear (CNRMN) da UFRJ, foi feita utilizando células provenientes de um mesmo paciente em diferentes estágios de progressão tumoral mamária. Este trabalho mostrou alterações epigenéticas importantes na cromatina, em cada um desses estágios. A cromatina é o complexo de DNA e proteínas que se encontra dentro do núcleo celular.

As variações mais claras foram observadas na heterocromatina, que é a parte condensada da cromatina, cujos genes estão inativos. “No modelo clássico, a heterocromatina se localiza na periferia das células. No estágio inicial de progressão, ela passa a se situar mais no centro do núcleo”, explica Gilson. “O fato de a heterocromatina se deslocar da periferia para o centro pode fazer com que os genes que estão relacionados à progressão tumoral sejam transcritos, propiciando o desenvolvimento do tumor”, continua. 

As linhagens de células mamárias analisadas no estudo foram: célula não-cancerosa H16N2, hiperplasia ductal atípica 21PT, carcinoma ductal in situ 21NT e carcinoma metastásico invasivo 21MT1. Observou-se a transcrição do gene TP53 , que fornece instruções para a produção da proteína p53, supressora tumoral. Através deste estudo, verificou-se que as drásticas alterações epigenéticas que ocorrem na cromatina ao longo da progressão tumoral não influenciam na expressão do gene TP53

Outros resultados

A pesquisa apresentou também outros dados relevantes. “Na molécula de DNA, verificamos que ocorre uma hipometilação global genômica ao longo da progressão tumoral. 

Ou seja, o DNA fica menos metilado”, enfatiza Gilson. Este processo poderia facilitar a reprogramação e desdiferenciação da célula tumoral. Já existem diversos trabalhos mostrando a hipometilação global no câncer. “A novidade desta pesquisa é que verificamos um leve aumento de metilação nos estágios iniciais de progressão do câncer de mama (célula 21PT), e depois uma hipometilação”. 

Este paper, intitulado Epigenetic modifications, chromatin distribution and TP53 transcription in a model of breast cancer progression foi produzido durante o doutorado de Gilson, e orientado pela pesquisadora da Uerj, Claudia Gallo, ex-integrante do Programa de Oncobiologia. Uma parte deste trabalho foi desenvolvida no Institut de Cancérologie Gustave Roussy, em Paris, sob orientação de Yegor Vassetzky. 

Próximos passos

 “Meu próximo passo é investigar o perfil metabólico que pode estar associado a essas alterações epigenéticas. Sabemos que metabólitos, como o ácido fólico, estão diretamente associados à metilação do DNA”, explica Gilson. O pesquisador busca agora, através da metabolômica por Ressonância Magnética Nuclear, encontrar marcadores que estejam associados de forma direta ou indireta a diversas alterações epigenéticas.

Gilson Santos Júnior e equipe do laboratório da pesquisadora Claudia Gallo, da Uerj. 

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