Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pesquisador estuda efeito de fitoquímicos em células cancerígenas

Priscila Biancovilli

Os fitoquímicos são substâncias produzidas e acumuladas nas plantas, famosas pelos benefícios que podem trazer à saúde. O interesse nesses compostos deriva do fato de que uma dieta rica em frutas, vegetais e legumes previne e ajuda a tratar diversas doenças, inclusive o câncer. Italo Mario Cesari, pesquisador venezuelano/italiano que trabalha atualmente na UFRJ, dedica-se ao estudo dos fitoquímicos com propriedade anticâncer.

“Vim para a UFRJ a fim de aprofundar o estudo de fitoquímicos de forma isolada, sobre os diferentes modelos de células de câncer que temos no laboratório do Prof. Franklin Rumjanek”, explica. “Ultimamente estamos estudando o efeito de oito fitoquímicos com estruturas moleculares diferentes, sobre células em diversos graus de progressão tumoral de carcinoma espinocelular da língua”. O pesquisador trabalha há três anos na UFRJ.

O objetivo é encontrar fitoquímicos que inibam o crescimento das células tumorais ou mesmo induzam-nas à morte celular por apoptose. “O câncer de mama, por exemplo, é sensível à apigenina, que existe no aipo, na salsa e na camomila. O efeito dessa substância é tanto preventivo quanto combativo (pode ajudar no tratamento, por induzir a apoptose das células)”, explica Italo.

“Além da apigenina, estudamos também o kaempferol (encontrado no alho-poró e outros vegetais), o ácido ursólico (presente no orégano, alecrim, salsa, goiaba, entre outras frutas e vegetais), a curcumina (açafrão-da-terra, que existe no curry), a epigalocatequina galato (presente no chá verde), a daidzeína (encontrada na soja), o metil jasmonato, um hormônio vegetal que dá o cheiro do jasmin e que induz apoptose, e o andrographolide (substância existente em uma planta medicinal asiática). Este último fitoquímico é muito interessante, pois atinge vias de sinalização expressas nos cânceres mais agressivos. “Já a daidzeína atinge alguns alvos que estão nas células-tronco do câncer”, afirma o pesquisador.

Os fitoquímicos que atacam células-tronco do câncer são, segundo o professor, extremamente relevantes. Isso porque, durante o tratamento com quimioterápicos, algumas células podem sobreviver e fazer o câncer retornar. Estas células sobreviventes desenvolvem mecanismos de resistência aos medicamentos. Muitas vezes, quando as células se tornam resistentes, elas passam a expressar alguns alvos moleculares que são típicos de células-tronco. “Por isso temos que atacar esses alvos, e os fitoquímicos representam uma opção”, explica. A ideia é que esses compostos sejam usados em combinação com quimioterápicos convencionais.

Ítalo explica que alguns resultados parciais e preliminares indicam que alguns dos fitoquímicos são capazes de inibir mais a proliferação do que a migração das células. No entanto, outros inibem a migração celular, ou ambos os processos celulares. Até agora, o ácido ursólico, epigalocatequina galato, e metil jasmonato apresentam-se como potentes inibidores da proliferação em baixas concentrações (micromolar). No entanto, o kaempferol, metil jasmonato, e epigalocatequina galato inibem a migração de forma diferencial, dependendo da linhagem de células de carcinoma espinocelular da língua testada.

Os resultados de seus estudos foram divulgados em resumos sobre os efeitos do metil jasmonato sobre câncer de mama e apresentados nos anos 2012-2013 em simpósios, e uma revisão geral sobre os efeitos anticâncer do metil jasmonato foi publicada, neste ano, no “International Journal of Cell Biology” Para ler o artigo na íntegra, visite o site http://dx.doi.org/10.1155/2014/572097

O objetivo do professor é desenvolver protocolos de tratamento do câncer que envolvam o uso de fitoquímicos. Como tais substâncias também possuem efeitos quimiopreventivos, o consumo diário de frutas e vegetais é de extrema importância para todos.

design manuela roitman | programação e implementação corbata