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Programa de Oncobiologia recebe pesquisadoras que estudam a flora nativa argentina

Fernanda Torres Lima

O trabalho de pesquisa realizado no laboratório da professora Vivian Rumjanek, envolvendo a resistência a múltiplas drogas (MDR) em células tumorais, chamou a atenção das pesquisadoras argentinas Belén Joray e Laura Gonzalez, da Universidade Católica de Córdoba. O Laboratório de Química Fina e Produtos Naturais da universidade argentina, ao qual as investigadoras estão vinculadas, estuda mais de 114 plantas da flora nativa ou naturalizada do país platino, investigando a bioatividade e as possíveis aplicações de seus extratos naturais. Atualmente, as cientistas examinam a potencialidade antitumoral dos compostos isolados de algumas dessas plantas.

 

O trabalho pós-doutoral de Belén investigou a citotoxicidade de 18 compostos naturais cujas estruturas já haviam sido anteriormente identificadas no laboratório argentino. Flavonoides em sua maioria, essas estruturas possuem inúmeras atividades biológicas e foram testadas contra diferentes linhagens celulares, entre as quais estava a K562 e a Lucena 1 - esta última criada e cultivada no laboratório da professora Vivian. Entre os compostos mais ativos, destacou-se o meliartenin, até então desconhecido pela literatura científica e cuja atividade antineoplásica, por intermédio de interferência na progressão do ciclo celular, foi descrita pela primeira vez no trabalho de Belén. O composto foi isolado a partir do cinamomo ou amargoseira (Melia azedarach), árvore encontrada na Argentina central.

 

Também do cinamomo, embora de uma parte diferente do caroço de seu fruto, foi extraído o composto bioativo pinoresinol, estudado por Laura em sua pesquisa de doutorado. De acordo com os resultados obtidos, o pinoresinol mostrou-se um satisfatório inibidor de um importante mecanismo de MDR, a bomba de efluxo operacionalizada pela glicoproteína-P, uma proteína expressa na membrana celular. Essa bomba promove ativamente a saída de agentes quimioterápicos do interior celular, reduzindo a efetividade dos tratamentos clínicos.

 

Por meio de publicações científicas, Belén e Laura descobriram a linha de pesquisa em MDR do laboratório da professora Vivian Rumjanek e decidiram apresentar seus respectivos estudos na sessão de pôsteres do VIII Simpósio de Oncobiologia, realizado há cerca de um mês pelo Programa. Na esteira da participação no evento, as pesquisadoras acordaram um trabalho de cooperação com o Laboratório de Imunologia Tumoral, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, a ser realizado durante uma breve temporada no Rio de Janeiro. O objetivo é realizar experimentos que contribuam para seus estudos de pós-graduação sobre a ação citotóxica de alguns desses compostos provenientes da flora argentina em células tumorais.

 

Laura Gonzalez e Belén Joray no Laboratório de Imunologia Tumoral, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ

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