Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Compostos mesoiônicos e câncer

Fernanda Torres Lima

A pesquisadora Aurea Echevarria, doutora em Química Orgânica pela Universidade de São Paulo e pós-doutora pelo Instituto de Química Médica de Madri, foi uma das coordenadoras credenciadas em 2014 no Programa de Oncobiologia. Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Aurea possui uma reconhecida trajetória de investigação científica sobre a atividade dos compostos mesoiônicos, estruturas químicas com ampla aplicação biológica. Sob a égide do Programa, ela coordena um grupo cuja proposta é entender melhor o papel dessas substâncias no combate ao câncer. O OncoNews conversou com a pesquisadora para saber um pouco mais sobre esse trabalho.

 

OncoNews: Quando seu grupo começou a pesquisar a atividade anticâncer de compostos mesoiônicos e por quê?

Aurea Echevarria: Começamos a avaliar a possível atividade anticâncer dos mesoiônicos no final da década de 1980, devido aos registros na literatura de suas diversificadas atividades biológicas e também ao fato de que tínhamos testado esses compostos frente a fungos patogênicos, com resultados interessantes. As pesquisas começaram no INCA em colaboração com a Dra. Noema Grinberg.

 

OncoNews: Qual é a hipótese defendida por vocês quanto ao papel dessas substâncias no combate ao câncer?

Aurea Echevarria: A hipótese é que esses compostos atuam por meio de interações entre proteínas/enzimas e o DNA, em razão de suas estruturas com cargas que facilitam essas interações e de seu tamanho relativamente pequeno e planar. Nossos resultados indicam a intercalação no DNA e a ação frente a enzimas DNA-topoisomerases.

 

OncoNews: Existem outros grupos no Brasil dedicados à essa linha de pesquisa?

Aurea Echevarria: No Brasil, existe o grupo da pesquisadora Silvia Cadena, da UFPR, que, mais recentemente, trabalha em colaboração com a Dr. Alexandra Accor, também da UFPR, na pesquisa da atividade anticâncer desses compostos, sintetizados por nosso grupo de pesquisa.

 

OncoNews: Quais os principais resultados da pesquisa e qual foi a maior contribuição do seu grupo à literatura científica até o momento?

Aurea Echevarria: Nossas contribuições incluem o registro de patente envolvendo mesoiônicos e melanomas em ratos e em humanos. Diversos artigos nossos já foram publicados, com resultados da atividade anticâncer, in vitro e in vivo, em diversos tipos de tumores. Além disso, nossos trabalhos possibilitaram o início de linhas de pesquisa nessa temática em outras instituições no exterior.

 

OncoNews: Quais seriam os próximos passos dessa investigação?

Aurea Echevarria: Os próximos passos incluem a continuidade da pesquisa com novos compostos mesoiônicos em linhagens de leucemias humanas e também em linhagens infectadas com o vírus HTLV, bem como a investigação dos mecanismos de ação relacionados a essas células. Esse trabalho já está sendo desenvolvido em colaboração com as pesquisadoras do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da UFRJ, Juliana Echevarria-Lima e Rojane de Oliveira Paiva.

 

A estrutura química de alguns compostos mesoiônicos

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