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Pesquisa busca compreender efeitos de quimioterápico em células de mucosa

O quimioterápico 5-fluorouracil (5-FU) está entre os medicamentos mais utilizados no tratamento de câncer de cólon humano, e em geral é muito eficiente no aumento na sobrevida dos pacientes e na erradicação da doença. Porém, um de seus principais efeitos colaterais é a inflamação das mucosas – por exemplo, da boca e esôfago – e alterações na motilidade gastrointestinal dos pacientes. As mucosites são relativamente frequentes em pacientes oncológicos e podem desencadear alterações psicossociais graves, como estresse e depressão.

Visando compreender melhor o funcionamento do 5-FU no organismo, Marcelo de Carvalho Filgueiras, professor da Universidade Federal do Piauí, dedica-se ao estudo dos efeitos desse quimioterápico em células de músculo liso. Seu trabalho é orientado por Claudia Mermelstein, do Programa de Oncobiologia da UFRJ.

Câncer de cólon

O câncer de cólon, ou de intestino, está na lista dos dez tipos de câncer mais incidentes no mundo, sendo a quinta maior causa de morte por câncer no Brasil. Homens e mulheres são igualmente acometidos, em especial após os 50 anos de idade.

Apesar da ampla utilização, os efeitos do 5-FU nas células musculares lisas são ainda hoje pouco compreendidos.

“Entre os principais pontos deste trabalho, nós verificamos que o 5-FU inibe a proliferação celular através da parada do ciclo celular na fase G1. Além disso, o quimioterápico leva a uma diminuição na percentagem de células positivas para histona H3 fosforilada – ou seja, células que estão em processo de mitose. Também observamos que o 5-FU induz mudanças na morfologia das células e uma diminuição de caveolina-3 e de filamentos de actina, proteínas envolvidas na sinalização e manutenção da estrutura da célula. Estas mudanças celulares podem explicar as alterações na contratilidade da musculatura lisa observada em pacientes tratados com 5-FU, o que gera desconforto no trato gastrointestinal”, explica Claudia.

Pensando no longo prazo, o objetivo da pesquisa é colaborar para o desenvolvimento de novos protocolos terapêuticos para o tratamento do câncer de cólon, que diminuam os efeitos colaterais indesejáveis nos pacientes.

Este trabalho foi feito em colaboração com o Professor Pedro Marcos Gomes Soares da Universidade Federal do Ceará e com o Professor Alexandre Morrot do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da UFRJ. “Esperamos que, a partir da conferência que o Marcelo Filgueiras deu recentemente no Programa de Oncobiologia e desta matéria do OncoNews, alguns grupos do Programa possam se interessar pelo nosso trabalho e novas colaborações possam surgir”, finaliza Claudia.

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