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Agrotóxico e tumores / PCR em tempo real

Agrotóxico e tumores

Pesquisadores podem ter encontrado um meio menos tóxico ao meio-ambiente e a saúde da população para proteger plantações e frutas armazenadas da infecção por fungos. A equipe do laboratório da pesquisadora Eleonora Kurtenbach, do Instituto de Biofísica da UFRJ, em colaboração com o ministério da agricultura dos EUA, construiu uma levedura recombinante capaz de agir como agrotóxico natural. Em países em desenvolvimento, existe uma perda de cerca de 50% na produção de alimentos devido a infecções fúngicas. Neste caso, ao invés da obtenção de um produto que contenha grandes concentrações do agente antifúngico puro, os pesquisadores utilizaram leveduras para controle de outros microorganismos, técnica conhecida como antagonismo.

A pesquisa, que foi dissertação de mestrado no Programa de Pós-graduação em Química Biológica /UFRJ do aluno Iuri Bastos Pereira, testou a levedura Pichia pastoris para controlar a infecção de maças com o fungo Penicillium expansum. Nesse trabalho, foi medido o tamanho da infecção e sua severidade. O resultado, bastante promissor, mostrou que essa levedura é capaz de proteger em torno de 75% a infecção dessas maçãs.

Essa proteção acontece devido a um peptídeo antifúngico, identificado como Psd1, produzido pela levedura geneticamente modificada. Esse peptídeo, que foi purificado da ervilha pelo laboratório da UFRJ, faz parte de uma família de proteínas chamadas Defensinas, que participam do mecanismo de defesa das plantas e impedem que o fungo cresça.  A construção feita por Pereira garante uma expressão contínua do peptídeo pela levedura.

Para aumentar a porcentagem de proteção, o grupo pretende expressar outros peptídeos da mesma família em conjunto com o Psd1. A levedura Pichia pastoris é comumente usada como fonte de proteínas na alimentação de animais, o que sugere que a ingestão por humanos não deverá apresentar efeitos colaterais. Segundo Kurtenbach, a utilização dessa levedura no combate a fungos “torna a proteção das plantações mais barata, pois diminui os custos de purificação e produção em massa desse peptídeo”.

O grupo, que agora corre atrás do depósito da patente, busca financiamento junto à Finep num programa de ‘subvenção econômica’. Os recursos serão utilizados por uma indústria no processo de produção de um novo agrotóxico que conterá a levedura recombinante. Inicialmente, os testes serão feitos em animais para garantir a segurança do produto. Outros testes serão realizados em frutas tropicais, como o abacaxi e mamâo.

Tumores - Além disso, os pesquisadores estudarão o potencial do peptídeo contra a formação de tumores. A defensina Psd1 interage inicialmente com moléculas presentes na membrana dos fungos e chega até o núcleo para modular a ciclina F, o que garante uma parada no ciclo celular e impede sua divisão. Em alguns cânceres, os níveis de ciclina F estão muito aumentados, portanto uma modulação desses níveis pelo Psd1 poderia ajudar no combate a esses tumores. Para o início dessa pesquisa, será estudada uma forma de garantir a entrada do peptídeo em células humanas.

PCR em tempo real

Em breve, será instalado, no Laboratório de Imunologia Tumoral da UFRJ um equipamento de PCR em tempo real que mede expressão gênica em tempo real. Os interessados em utilizar o equipamento devem escrever para Vivian Rumjanek email Vivian@bioquimica.ufrj.br. O equipamento foi adquirido com recursos da Rede SUS/Faperj, numa parceria entre a UFRJ e o Inca.

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