Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Hipertensão e câncer

Estudo da UFRJ identifica esta associação em 50% de mulheres com câncer de mama

Por Marina Verjovsky

Um grupo de pesquisadores da UFRJ, coordenado pela pesquisadora Márcia Capella, do Laboratório de Fisiologia Renal, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, identificou recentemente que, entre 100 pacientes com câncer de mama, a metade é hipertensa. Além disso, a equipe observou que a proteína associada à resistência a múltiplas drogas em câncer, conhecida como ABCB1, também está relacionada com a hipertensão em ratos. O objetivo agora é entender a correlação entre esses fatos para garantir formas de tratamento mais adequadas aos diferentes tipos de pacientes.
 
O estudo com a proteína, publicado recentemente na revista científica European Journal of Physiology, em colaboração com Raphael Valente, Clarissa Nascimento e Juliana Echevarria, analisou 12 ratos por 10 meses e concluiu que eles, após se tornarem naturalmente hipertensos, têm uma considerável diminuição na expressão e atividade da proteína ABCB1 em linfócitos e células do rim. Essa mudança pode provocar alterações na resposta imunológica e também na excreção de medicamentos pelo rim e, conseqüentemente, aumentar a toxicidade de medicamentos.
 
Outros resultados ainda preliminares foram desenvolvidos pelo pesquisador João Marcos Delou e mostram que alguns hormônios relacionados com a hipertensão (como a angiotensina e ouabaína) influenciam a expressão e atividade dessa proteína em culturas de células renais e de câncer de mama.
 
O próximo passo da pesquisa será comparar amostras de pelo menos 300 pacientes com câncer de mama hipertensas e não-hipertensas. Este estudo contará com a colaboração da médica Solange Malfacini, da Secretaria Municipal de Saúde, e verificará a expressão dessa proteína nos linfócitos dessas pacientes. Os pesquisadores também analisarão se existe alguma diferença em tecidos normais e tumorais de amostras daquelas que tiverem sofrido mastectomia. "Nossa hipótese é que a ABCB1 deve estar diminuída nas hipertensas", revela Márcia. As pacientes serão selecionadas no Inca e no SUS e o projeto entrará em prática assim que for aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.
 
Portanto, quando a proteína ABCB1 está mais expressa, os medicamentos anticâncer (e muitos outros) têm eficácia reduzida, mas quando está menos expressa influencia em diversos outros papéis fisiológicos."Estudos recentes mostram que cada pessoa é diferente e deve ser considerada individualmente na hora do diagnóstico e prescrição médica", explica Márcia. Segundo ela, "esses estudos foram todos financiados com recursos do edital FAF/Onco. Sem estes, seria difícil obter esses resultados."

design manuela roitman | programação e implementação corbata