Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Câncer de estômago é tema de pesquisa no Programa de Onco

O câncer de estômago é um dos mais frequentes no Brasil. Segundo estimativas publicadas pelo Inca, estão previstos, apenas no país, mais de 20 mil novos casos para 2014. No Brasil, o câncer de estômago, excetuando-se o de pele (não melanótico), é o quarto mais frequente entre os homens e o sexto mais frequente entre as mulheres. A sobrevida em 5 anos é de cerca de 20% nos países em desenvolvimento.

Maria da Gloria da Costa Carvalho, pesquisadora do Laboratório de Patologia Molecular do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) e membro do Programa de Oncobiologia, dedica-se ao estudo desse tipo de câncer. Nesta entrevista, ela explica ao OncoNews um pouco do trabalho que desenvolve, bem como indica onde podem ser encontrados os principais resultados das pesquisas de seu grupo.

1) Quando você começou a se dedicar a essa pesquisa de câncer de estômago e por quê?

Comecei a me interessar por câncer gástrico através de um trabalho em colaboração com o pesquisador do Instituto Carlos Chagas (unidade da Fiocruz no Paraná), Paulo Carvalho, e sua aluna de mestrado, Priscila Aquino. Neste trabalho, as amostras eram provenientes de Manaus e foram usadas com o objetivo de comparar o perfil proteômico entre o tumor e as margens de ressecção cirúrgicas. Os resultados mostraram que as margens, embora histologicamente livres de doença, apresentavam proteínas relacionadas ao tumor. Alem disso, verificamos também a presença do vírus do Epstein-Barr, sugerindo ser esse um dos fatores etiológicos.

2) Como é a linha de pesquisa desenvolvida por vocês?
Estamos dando continuidade a esta linha de pesquisa com a colaboração recente do Prof. Guilherme Bravo, do Departamento de Cirurgia do HUCFF. Iniciamos estudos com objetivo de verificar alterações epigenéticas (silenciamento de genes); infecção por EBV, além do perfil proteômico do tumor e margens cirúrgicas. Estamos utilizando também material de arquivo (material emblocado em parafina) para comparar o padrão proteômico de áreas contendo células de morfologias distintas.

3) Quais os principais resultados até o momento? Quais as perspectivas para médio-longo prazo?
Nossas perspectivas para médio-longo prazo incluem encontrar um padrão molecular (infecção viral, metilção de genes, proteínas associadas a progressão tumoral, etc) proveniente do material biológico do paciente, que possa auxiliar no tratamento e acompanhamento dos indivíduos com esta doença.

Os principais resultados das nossas pesquisas estão descritos nas publicações abaixo.

a) Aquino PF, Fischer JSG, Neves-Ferreira AGC, Perales J, Domont GB, Araujo GDT, Barbosa, VC, Viana J, Chalub SRS, Souza AQL, Carvalho MGC, Souza ADL, Carvalho PC, Are gastric cancer resection margin proteomic profiles more similar to those from controls or tumors? Journal of Proteome Research, 7;11(12):5836-42, 2012.


b) Aquino, PF, Carvalho PC, Fischer JSG, Chalub A, Souza ADL, Carvalho MGC. Epstein-Barr virus DNA associated with gastric adenocarcinoma and adjacent non-cancerous mucosa in patients from Manaus, Brazil, Genetics and Molecular Research, 11(4):4442-6, 2012

Sobre utilização da metodologia de material de arquivo:

a) Fischer JSG, Canedo NHS, Gonçalves KMS, Chimelli MC, Franaça M, Leprevost FV, Aquino PF, Carvalho PC, Carvalho MGC. Proteome analysis of formalin-fixed paraffinn-embedd tissues from a primary gastric melanoma and its meningeal metastasis: a case report. Current Topics in Medicinal Chemistry, v.14 pp. 382-387, 2014

b) Apresentação no congresso American Association for Cancer Research (abril 2014)

Epigenetic and proteomic analysis of gastric tumor and its histologically free proximal and distal margins - Paulo Costa Carvalho; Maria da Gloria da Costa Carvalho; Guilherme Pinto Bravo Neto; Carlos Eduardo Carvalho; Priscila Aquino; Marcelo Mota; Thais Mac Cormick; Juliana S G Fischer

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