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Novos avanços no estudo da molécula antitumoral LQB-118

A LQB-118 é uma substância com atividade antitumoral que, há alguns anos, foi sintetizada por cientistas da UFRJ. Um dos pesquisadores que se debruça no estudo dessa molécula é Eduardo Salustiano, agraciado em 2013 com a Bolsa Pro-Onco da Fundação do Câncer. Durante o doutorado, ele avaliou o efeito desse composto in vivo, e confirmou que essa substância de fato reduzia o crescimento tumoral em tumores sólidos como o melanoma, apresentando reduzido efeito colateral. Agora, no pós-doutorado, o pesquisador se propõe a responder uma série de novas perguntas.

“Quando se estuda um novo candidato a fármaco, é de fundamental importância saber o comportamento dele dentro do organismo. Esse é exatamente o meu projeto de pós-doc: o estudo da farmacocinética da LQB-118. Precisamos descobrir que tipo de transformações acontecem com esse fármaco dentro do organismo, ou seja, quais são suas rotas de metabolização”, explica Eduardo.

Em paralelo, o projeto de Eduardo prevê também o estudo das formas enantioméricas desse fármaco, uma exigência da Anvisa e da FDA norte-americana. Essas formas possuem os mesmos átomos da molécula estudada, mas apresentam diferenças na orientação espacial. Conhecer as funções dessas estruturas pode evitar problemas como o escândalo da talidomida, ocorrido entre os anos 50 e 60. Esse remédio era comercializado mundialmente, e muitas gestantes o utilizavam para aliviar os enjoos da gravidez. Porém, uma das formas da talidomida era altamente tóxica, ocasionando malformações congênitas em milhares de fetos.

“Já conseguimos tanto produzir quanto separar essas duas formas complementares, o que representa um ganho muito grande para um produto que queremos ver licenciado pela indústria farmacêutica”, afirma o cientista. “Outra novidade é que, recentemente, conseguimos uma parceria com uma empresa, chamada Biozeus. Ela tem grande know how de captação de pesquisadores com trabalhos na área de novos fármacos, além de ser reconhecida pela FINEP como uma empresa líder na área de Biofármacos, Farmoquímicos e Medicamentos. Acreditamos que essa união nos permita superar a etapa pré-clínica do desenvolvimento de um novo fármaco, avançando até a Fase 1 da etapa clínica. Dessa forma, o processo de licenciamento do nosso fármaco poderá se tornar uma realidade”, continua.

Esse trabalho contou desde o início com a colaboração dos laboratórios de Paulo Ribeiro Costa, Vivian Rumjanek e Raquel Maia. Recentemente, parte do projeto foi apresentado no 2nd International Symposium on Challenges and New Technologies in Drug Discovery & Pharmaceutical Production, evento organizado pela Fiocruz/Farmanguinhos. A apresentação concorreu ao Prêmio Benjamim Gilbert, e o projeto foi agraciado com uma Menção Honrosa.

Eduardo Salustiano, agraciado em 2013 com a Bolsa Pro-Onco da Fundação do Câncer

 

 

 

 

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