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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Riqueza científica marca VII Simpósio de Oncobiologia

 

Entre os dias 25 e 27 de setembro de 2013, a UFRJ abrigou o VII Simpósio de Oncobiologia. Este ano, uma parcela expressiva dos participantes ajudou a compor o evento por meio da apresentação de seus trabalhos de pesquisa. Dos cerca de 150 participantes, 67 expuseram pôsteres nas sessões de intervalo entre as palestras e cinco foram escolhidos para apresentar oralmente suas pesquisas.

Na cerimônia de abertura, Dr. Marcos Moraes lembrou os mais de treze anos da importante parceria entre a Fundação do Câncer e o Programa de Oncobiologia no fomento à disseminação da pesquisa universitária.

O consultor científico do Programa, Adalberto Vieyra, ressaltou o sentimento de privilégio que sente em participar dessa iniciativa desde seus primórdios por ocasião da primeira reunião na Academia Brasileira de Ciências, no ano de 2000. Compunha a mesa inicial, ainda, a idealizadora do Programa, Vivian Rumjanek. A professora assinalou a contribuição do programa à promoção da cooperação e do diálogo entre as linhas de pesquisa em Biologia Tumoral.

Também participou da cerimônia de abertura Celso Ruggiero, novo Diretor Executivo da Fundação do Câncer, que falou sobre o desejo de, com sua experiência em gestão administrativa, contribuir positivamente para a consolidação do importante trabalho realizado pela Fundação.

Primeiro Dia

A conferência inaugural ficou a cargo da professora Mari Sogayar, do Instituto de Bioquímica da USP, e abordou a trajetória percorrida por seu núcleo de pesquisa na busca de marcadores tumorais, nos últimos vinte anos.

Na parte da tarde, Nastaran Zahir Kuhn, do National Cancer Institute (NCI, dos Estados Unidos), falou sobre a convergência entre ciências físicas e oncologia, o que pode enriquecer muito o estudo do câncer. Para a pesquisadora, é importante a união de profissionais que tenham referências comuns sobre determinado assunto, mas interpretações diferentes. Kuhn comentou também que o NCI possui um centro para a promoção global de saúde (The National Cancer Institute Center for Global Health), que, entre outras coisas, coordena e facilita atividades de pesquisa na América Latina, a partir de parcerias com ministérios da saúde, centros de pesquisa e universidades.

Cinthya Sternberg apresentou a palestra “A pesquisa translacional em oncologia e seu impacto na medicina personalizada”. A cientista frisou a importância do desenvolvimento de pesquisas desse tipo, que envolvem tanto a pesquisa básica quanto a aplicação clínica. “Para transpor o hiato entre esses dois lados, necessitamos de financiamento, planejamento institucional, infraestrutura, mudanças regulatórias e esforço multidisciplinar”, explicou.

Ainda durante esse dia, o Núcleo de Divulgação Científica do Programa de Oncobiologia anunciou o lançamento de seis novos jogos, que abordam temas em saúde. Os jogos serão lançados aos poucos, durante o mês de outubro, na página do Acubens, museu de câncer (www.acubens.com.br).

Segundo Dia

O segundo dia teve início com a conferência de Owen McCarty, da Oregon Health & Science University (EUA), intitulada “The physical biology of circulating tumor cells”.

A sessão “Microambiente Tumoral” teve início com a apresentação oral do trabalho dos alunos Bruna Mendonça, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ; Bruno Pires, do Inca; e Paloma Silva de Souza, da mesma instituição. Em seguida, a professora Adriana Bonomo, do Instituto de Microbiologia da UFRJ, discutiu a interação entre o sistema imune adaptativo e o estabelecimento tumoral na matriz óssea.

Terceiro Dia

No terceiro dia, a pesquisadora Etel Gimba, da Universidade Federal Fluminense e do Inca, apresentou a conferência “Estudos funcionais de genes envolvidos na progressão tumoral como estratégia na descrição de novos biomarcadores e alvos terapêuticos”. O objetivo da cientista é desenvolver marcadores moleculares que possibilitem um diagnóstico mais eficaz de diversas neoplasias, em especial o câncer de próstata e de ovário.

A professora Miriam Jasiulionis, especialista em epigenética do Departamento de Farmacologia da Unifesp, conduziu a conferência de encerramento, na qual tratou da relação entre condições repetidas de estresse biológico e a transformação maligna. Antes da exposição da professora, os alunos Anna Fonseca, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e Renato Carvalho, do Inca, expuseram seus trabalhos de pesquisa.

Onze estudantes tiveram seus pôsteres premiados com menções honrosas, sendo quatro do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM), quatro do Inca e um do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB).

No encerramento, o diretor do Instituto de Bioquímica Médica, Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, destacou as dificuldades encontradas ao longo deste ano, embora a Universidade possuísse recursos suficientes. Falou ainda das questões relativas à política universitária, como as discussões em torno da criação ou não da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e de um modelo ideal que, de acordo com sua visão, está instituído na universidade considerada como a mais antiga do mundo ocidental, a de Bolonha, criada no ano 1088.

O coordenador do Programa, Marcos Moraes, aproveitou a mesa de encerramento e disse que, embora discorde da implantação da EBSERH, pois não acredita na eficiência de um poder central e contratos centralizados em Brasília, ressaltou a excelência da UFRJ, sendo a segunda universidade do país em produtividade e a primeira entre as públicas, apesar de todas as mazelas em sua infraestrutura. E concluiu com um alerta sobre a importância da autonomia universitária e de menos burocracia.

O coordenador do Núcleo de Simpósios, Robson Queiroz, aproveitou o encerramento para agradecer todo o apoio da Fundação do Câncer na realização dos Simpósios de Oncobiologia e aos alunos voluntários que se dedicaram a organizar o evento e à Isabel Porto Carreiro, coordenadora do Núcleo de Ensino. Para ele, essa é uma grande ideia, pois consegue reunir os membros da Oncobiologia e outros para a troca de experiências nesse evento que já se tornou tradição na área.


Mesa de abertura do Simpósio


Participantes do Simpósio no auditório Marcos Moraes


Pesquisadora Nastaran Kuhn, do National Cancer Institute (EUA)

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