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Imagens nos maços de cigarro - quanto mais aversivas, mais eficazes

A avaliação do impacto das 10 imagens de advertências contidas numa das faces dos maços de cigarro da terceira edição da campanha brasileira de controle do tabaco concluiu que quanto mais aversiva é a imagem, mais os indivíduos a acham eficaz para a prevenção como também para a cessação do tabagismo, disse a pesquisadora Eliane Volchan, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e uma das autoras do trabalho recém publicado na revista Plos One.

Este trabalho começou em 2008 quando foram selecionadas, inicialmente, diversas temáticas para elaboração de 19 protótipos de imagens para a futura seleção das 10 advertências que circulariam nos maços de cigarro. Para testar o impacto emocional dos protótipos, num primeiro experimento, foram convidados 338 participantes entre 18 e 24 anos. A amostra era distribuída igualmente em homens e mulheres; fumantes e não-fumantes; e estratificada em 3 níveis de escolaridade. O experimento revelou que fumantes, mulheres e jovens de baixa escolaridade foram os mais impactados nos testes com os protótipos. “Estes resultados são importantes, pois jovens de baixa escolaridade são os mais afetados pela epidemia do tabaco, com o dobro de fumantes em relação aos de alta escolaridade no Brasil”, disse Volchan.

Após a escolha, pelo então Ministro da Saúde José Gomes Temporão, das 10 imagens que deveriam circular nas advertências nos maços de cigarro, foi idealizado um segundo experimento, do qual participaram 63 voluntários. Nesta segunda etapa da pesquisa, diz a a pesquisadora, foi aplicado um paradigma experimental inovador, utilizando um dispositivo desenvolvido em no laboratório por José Magalhães de Oliveira e outros colaboradores, que permite reproduzir a rotina diária do fumante na manipulação de maços de cigarro e testar as reações emocionais à exposição das advertências sanitárias.

Para o experimento, o maço era acomodado num suporte que o participante segurava com a mão e apenas uma face do maço, exibindo uma das imagens de advertência ou a imagem de uma das marcas de cigarro, tornava-se visível para ele durante cada ensaio. A tarefa consistia na flexão do braço trazendo o maço para perto do corpo, assim que o maço se tornasse visível. O dispositivo BIO (Box for Interaction with Objects) permitiu a apresentação instantânea da face do maço e o registro acurado da latência (tempo de reação) para iniciar o movimento. A evidência trazida pelos experimentos mostrou que as advertências sanitárias interferiram na tarefa antagonizando a motivação para manipular os maços. Os resultados respaldam a propriedade e eficiência da utilização de advertências no controle do tabaco.

“De 2006 a 2012, houve uma redução de 20% no número de fumantes no Brasil, atingindo a marca de 12%, como divulgado recentemente pela pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde e isso nos deixa muito felizes”, disse Volchan. Significa que o emprego de advertências eficazes, junto com as outras ações de controle do tabaco, tem dado resultados positivos.

Este trabalho publicado na Plos One de agosto, sob o título de “Implicit motivational impact of pictorial health warning on cigarette packs”, é fruto de uma parceria de pesquisadores do Instituto de Biofísica da UFRJ, Instituto Nacional do Câncer e Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento da UFF e contou com recursos da Fundação do Câncer, FAPERJ e CNPq.

Imagens aversivas nos maços de cigarro impactam fumantes

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