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Inovações e perspectivas no tratamento do melanoma

Quais são os últimos avanços no tratamento do melanoma? Será que a cura, mesmo em estágios avançados, está mais próxima? Para esclarecer essas e outras questões, conversamos com o médico Antonio Carlos Buzaid, chefe-geral do Centro Oncológico Antonio Ermírio de Moraes (Beneficência Portuguesa de São Paulo).

O câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil, embora o melanoma seja o subtipo menos comum, representando apenas 4% do total de tumores malignos na pele. Porém, essa doença precisa ser detectada nos estágios iniciais, uma vez que são grandes as possibilidades de metástase.

No último dia 5 de julho, Buzaid esteve na UFRJ para proferir a palestra “Tratamento do Melanoma Metastático: passado, presente e futuro”, em que apresentou a pesquisadores e alunos alguns dos pontos discutidos abaixo.

OncoNews - Quais são os avanços mais relevantes no tratamento do melanoma, nos últimos anos?

Dr. Buzaid - Os maiores avanços no tratamento do melanoma ocorreram em duas grandes áreas:

1. terapia alvo

2. imunoterapia

A terapia alvo consiste em drogas que inibem produtos de oncogenes, que são genes que quando ativados mantêm a célula proliferando sem controle. Em 2002, foi identificada uma mutação oncogênica no melanoma chamada BRAF. Este gene quando mutado resulta em proliferação anormal e descontrolada da célula. A mutação do BRAF está presente em aproximadamente 50% dos casos de melanoma avançado. Um inibidor do BRAF chamado vemurafenibe resulta em grande efeito antitumoral em mais de 50% dos pacientes tratados e, sem duvida, é um dos maiores avanços dos últimos anos. Infelizmente, a resistência à terapia alvo ocorre, em geral, seis a oito meses depois do início do tratamento e o paciente irá necessitar de mudança do tratamento. Embora a terapia alvo resulte em aumento da sobrevida global quando comparado com quimioterapia convencional, esta forma de tratamento não tem potencial curativo. O vemurafenibe foi aprovado no Brasil em 2012.

Em relação à imunoterapia, tivemos grande avanços, o que não ocorria há 18 anos. Recentemente, foi aprovado no Brasil o uso da droga Ipilimumabe que resulta em aumento do sistema imune e produz beneficio de longo prazo em aproximadamente 25% dos pacientes tratados. Como efeito colateral, devido a excessiva estimulação do sistema imune, o Ipilimumabe pode causar um ataque do sistema imune a órgãos normais do corpo como o intestino, pele, fígado e glândulas endócrinas. Entretanto, este tipo de efeito colateral é altamente reversível com o uso de corticoesteróides. Mais recentemente, foram reportados os dados de uma nova classe de medicamentos chamados antiPD1. Os resultados desta classe de drogas, ainda experimentais, usadas isoladamente ou em combinação com o Ipilimumabe foram os mais impressionantes das últimas décadas com uma taxa de resposta da ordem de 50% e aparentemente duradouras. Teremos mais resultados, em futuro próximo, sobre esta linha de pesquisa. O Ipilimumabe foi aprovado no Brasil em 2013.

OncoNews - Esses novos tratamentos já são feitos nos hospitais brasileiros? Se sim, onde? Se não, quando estarão disponíveis no país?

Dr. Buzaid - O Ipilimumabe foi estudado no Brasil e mais de 500 pacientes foram tratados no Programa de Acesso Expandido. O Centro Oncológico Antonio Ermírio de Moraes (da Beneficência Portuguesa de São Paulo) em que sou chefe geral, é o centro com a maior experiência nesta droga e outras formas de imunoterapia para o melanoma avançado.

OncoNews - Quais são as perspectivas para o futuro (próximos 5 a 10 anos)? Será possível a cura do melanoma, mesmo em estágios avançados?

Dr. Buzaid - O futuro é de fato promissor. Vamos curar mais pacientes com melanoma em estágios avançados e a imunoterapia se destaca como a estratégia mais promissora. Acredito que um grande desafio que iremos enfrentar no futuro são o tratamento das metástases cerebrais, pois embora a imunoterapia e a terapia alvos consigam em parte produzir efeito antitumoral no cérebro, o beneficio parece mais limitado. Em suma, estamos de fato melhorando no tratamento do melanoma avançado e o futuro próximo parece é promissor.

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