Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Excelência no ensino da Oncologia

Claudia Jurberg

Luis Felipe Ribeiro Pinto é pesquisador do Programa de Oncobiologia e o responsável pela área de ensino do Instituto Nacional do Câncer (Inca), onde hoje estão matriculados mais de 1500 estudantes de pós-graduação strito sensu em Oncologia; e lato sensu com cursos de residência médica e residência multiprofissional, além de cursos de extensão como o de verão e o projeto Inca de Portas Abertas.

OncoNews – Você poderia nos contar um pouco mais sobre a pós-graduação em residência multiprofissional? 

Luis Felipe - Esta pós-graduação foi criada há três anos e contempla todas as áreas, ou seja todas as profissões que o MEC autoriza, inclusive a física médica. A residência multiprofissional é uma excelente oportunidade para que nossos graduandos nas áreas da saúde possam se aperfeiçoar pois, como já é sabido, não há uma cadeira especifica de oncologia nestes cursos, incluindo medicina. Fizemos um inquérito com mais de 90 universidades em todo o país e nenhuma instituição oferecia essa disciplina. Isto, na minha opinião, é um grande absurdo pois a oncologia é a segunda causa de morte em nosso país. Continuamos a ensinar muito as doenças que representavam os principais problemas de saúde pública há algumas décadas atrás. Porém, estas doenças apresentam pouco impacto hoje em dia, tanto no que se refere a mortalidade quanto ao custo de traamento no SUS. Faz-se absolutamente imperativo ensinarmos cancerologia nos cursos de graduação da área da saúde. 

OncoNews – Na sua opinião, qual seria o diferencial dessa residência médica multiprofissional para outras em oncologia? 

Luis Felipe – Sabemos que oferecer uma formação multiprofissional para aquele que vai atender o paciente oncológico já representa melhor prognóstico. Vários estudos internacionais apontam para esse ganho de qualidade na atuação do profissional e um maior benefício para o paciente.  

OncoNews - Como se estrutura o curso de residência médica multiprofissional? 

Luis Felipe - O curso tem um eixo transversal, onde todos os profissionais matriculados, sejam eles dentistas, nutricionistas, psicólogos. etc, têm aulas em conjunto. Este eixo transversal dura em torno de um ano. Nesse eixo, são contemplados cursos científicos como oncogenes e genes supressores de tumor, a estruturação e modo de funcionamento do SUS, etc... 

Em seguida, os participantes começam a frequentar as aulas dos eixos específicos. Esta segunda etapa dura mais um ano e neste eixo eles têm a oportunidade de associar o conteúdo visto à prática. Por exemplo, os físicos médicos terão aula junto com a radioterapia. É claro que esses profissionais já dominam alguns aspectos sobre emissão de partículas, mas terão aulas específicas sobre programação de campo, calibração de aceleradores, entre outros. 

Outro exemplo que posso citar é na odonto, onde os alunos têm curso específico sobre mucosite e aprendem a trabalhar com laser de baixa intensidade. 

Esses alunos, em conjunto, participam ainda da atenção multidisciplinar ao paciente. Neste caso, eles percorrem, como equipe, as várias enfermarias do Inca. 

Gostaria também de enfatizar a interação com o Programa de Pós-graduação stricto sensu, pois vários dos docentes do Programa stricto dão aulas nas disciplinas da residência multiprofissional. Aliás, a Pós-graduação stricto sensu brasileira representa em grande parte o que acontece na graduação. Infelizmente, temos somente cinco programas de pós-graduação em oncologia no Brasil, sendo que dois oferecem somente mestrado (Barretos e Universidade Federal do Pará). 

A Capes incentiva a criação de mais programas, mas enquanto não induzirmos os alunos na graduação a adotarem a área, não teremos recursos humanos suficientes para podermos levar a uma difusão de programas de pós-graduação com a qualidade necessária. O Programa do Inca, um dos três no Brasil a oferecer Mestrado e Doutorado, conta com 23 docentes permanentes, 10 colaboradores e teve no triênio que acabou de se encerrar uma produção científica de quatro artigos por ano para cada docente, sendo que a média de fator de impacto por artigo é de 3.8. Este programa foi criado em 2005 por indução da Capes e hoje é nível 5, mas esperamos na próxima avaliação, galgar outro patamar, pois fomos muito bem analisados no triênio anterior.  

OncoNews - Quantas vagas são oferecidas, quando é o processo seletivo? 

Luis Felipe – Para o Programa de Pós-graduação stricto sensu, oferecemos atualmente 25 vagas para doutorado e outras 25 para mestrado, sendo que o processo seletivo ocorre em novembro/dezembro. Para o curso de residência multiprofissional, as vagas são oferecidas para graduados em nutrição, odontologia, física médica, psicologia, serviço social, enfermagem, fonoaudiologia e fisioterapia. As vagas oferecidas são por área e o processo seletivo ocorre junto com a da residência médica, em geral no fim do ano. O edital é divulgado na página do Inca, no segundo semestre. 

OncoNews – Neste curto espaço de tempo, desde que foi criado o curso de residência multiprofissional, qual foi a grande surpresa? 

Luis Felipe – É interessante notar que, vários desses profissionais, após concluírem o curso com a apresentação de monografia, estão se matriculando no mestrado. Nós criamos uma bolsa de pós-residência, por até um ano e meio, que tem permitido a eles se incorporarem a um grupo de pesquisa e, com isso, participam da seleção de forma mais amadurecida e com êxito.

Luis Felipe Ribeiro Pinto, responsável pela área de ensino do Instituto Nacional do Câncer (Inca)

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