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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Mestranda da UFRJ ganha Prêmio Aldo Coleoni

 

Uma pesquisa vinculada ao Programa de Oncobiologia foi agraciada com o Prêmio Aldo Coleoni Jovem Investigador Genzyme, durante o XV Latin American Thyroid Society, que aconteceu em março de 2013. O trabalho intitula-se "Potential anti-tumorigenic effects of AMP-Kinase (AMPK) on papillary thyroid tumor cells lineages" e foi elaborado pela mestranda Juliana Cazarin de Menezes, da UFRJ, sob orientação de Denise Pires de Carvalho e Bruno Moulin de Andrade.

O objetivo desse projeto foi avaliar o papel da AMPK (proteína AMP dependente de quinase) nas linhagens de células tumorais quanto aos mecanismos relacionados ao processo de tumorigênse. “Temos linhagens de carcinoma tireoideano aqui no laboratório, e começamos a avaliar a expressão da AMPK nelas, in vitro. Quando se ativa a AMPK nessas células, observamos que há uma redução na proliferação celular, o que está de acordo com o descrito na literatura para outros tumores. Percebemos também a redução da capacidade migratória dessas células, o que pode ser um indício de menor capacidade invasiva delas. Isso sugere, a princípio, que existe um efeito anti-tumoral causado pela ativação da AMPK nas células tireoideanas”, explica Juliana.

Em uma pesquisa anterior, Bruno Moulin avaliou a expressão da AMPK na tireóide normal, e percebeu que a enzima regulava alguns parâmetros da expressão tireoideana, dentre eles a captação de iodeto e de glicose. Geralmente, quando os pacientes apresentam alterações nessa captação (diminuição da capacidade de captar iodeto e aumento da capacidade de captar glicose), isso pode estar relacionado a um pior prognóstico do câncer na tireóide.

“Mais recentemente, avaliamos a expressão da AMPK em pacientes com tumores tireoideanos, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Observamos um aumento da expressão dessa enzima nos pacientes, mas ainda não conseguimos correlacionar esse fato com uma melhor ou pior evolução do tumor. Pretendemos, assim, realizar um outro experimento para relacionar a presença da AMPK a um melhor ou pior prognóstico”, afirma a mestranda.

A AMPK foi descrita inicialmente como um sensor metabólico, sendo responsiva a variações na disponibilidade energética da célula. Muitos estudos, feitos nos últimos seis ou sete anos, demonstram que a AMPK parece regular processos-chave na gênese dos cânceres de mama, endométrio e ovário. A enzima tem um papel anti-proliferativo. “Não existia, entretanto, nenhum trabalho relacionando-a com a tireóide, por isso decidimos estudar esse tema”, finaliza.

Juliana Cazarin, mestranda agraciada com o Prêmio Aldo Coleoni Jovem Investigador Genzyme 

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