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Obesidade: como a mídia ajuda a agravar o problema?

No dia 27 de março, a Uerj sediou a mesa redonda “Regulação da Publicidade de Alimentos: convergindo agendas de política, pesquisa e ação”. Os palestrantes foram Jason Halford e Emma Boyland, do Departamento de Ciências Psicológicas do Instituto de Psicologia, Saúde e Sociedade da Universidade de Liverpool, Reino Unido. Eles se dedicam a investigar os efeitos da publicidade de alimentos sobre o comportamento de compra e consumo de alimentos não saudáveis. Seus estudos têm motivado a formulação, no Reino Unido, de políticas de regulação da publicidade de alimentos, objetivando interferir positivamente na melhoria da alimentação de populações. O evento foi mediado pelo nutricionista Fabio Gomes, do Inca.

Jason Halford iniciou sua palestra com alguns dados interessantes sobre obesidade. Esse é um problema endêmico não só em países desenvolvidos, mas também em nações periféricas como África do Sul, Rússia, México, Turquia e Paraguai. No Reino Unido, os níveis de obesidade aumentaram drasticamente nos últimos anos, principalmente nas regiões mais pobres. Ao apresentar pesquisas sobre obesidade infantil, Halford mostrou que os países no mundo que mais sofrem com esse problema são os mediterrâneos: Chipre, Itália, Turquia, Malta e Grécia.

O pesquisador destacou que controlar a quantidade de calorias ingeridas diariamente parece fácil, mas nem sempre é. Isso porque vivemos em uma sociedade em que os alimentos não-saudáveis são fartos, bastante divulgados e, muitas vezes, custam menos que os saudáveis. Além disso, é muito complicado mudar comportamentos e atitudes que, muitas vezes, vêm desde a infância. Segundo ele, os obesos tendem a ter um controle regulatório do comportamento alimentar mais fraco. Mais ainda, o apetite do obeso tende a ser mais influenciado pelos estímulos ambientais que instigam o excesso de consumo. A restrição a calorias pode, em algumas pessoas, causar problemas como depressão.

O objetivo do trabalho de Halford é facilitar a vida daqueles que desejam ter sucesso em uma dieta, através de alguns alvos específicos, como a modificação do metabolismo periférico e a inibição da absorção de nutrientes. Para Halford, cirurgias como a de redução de estômago são pouco eficientes. Deve haver uma reformulação da dieta e do relacionamento de longo prazo do indivíduo com o alimento.

Emma Boyland falou sobre a publicidade de alimentos na TV e como isso pode influenciar a obesidade em crianças. A pesquisadora apresentou dados que mostram que assistir televisão está associado ao aumento da frequência de refeições, maior consumo de fastfoods e menor de frutas e vegetais. Segundo ela, para cada hora gasta em frente a televisão, a probabilidade de a criança se tornar obesa aumenta em 2%. Além disso, Boyland afirma que existe uma correlação positiva entre a prevalência de sobrepeso em crianças em idade escolar e a quantidade de anúncios de alimentos não-saudáveis nas redes de TV de maior audiência.

A pesquisadora britânica apresentou uma série de pesquisas que mostram que crianças com sobrepeso e obesas tendem a preferir alimentos de marcas conhecidas, ou seja, com muita publicidade na mídia. Em geral, crianças que assistem TV por mais horas tendem a se importar mais com marcas. Um dado alarmante trazido por Boyland é o seguinte: para cada 1 dólar que a Organização Mundial de Saúde gasta para tentar melhorar a nutrição da população mundial, 500 dólares são gastos pela indústria de alimentos para promover alimentos processados.

Halford e Boyland defendem a regulação da publicidade de alimentos como forma de prevenir a obesidade e o sobrepeso. Embora esse tipo de controle já exista em alguns países, como o Reino Unido, ele é na prática pouco útil, pois a maioria dos canais de televisão de maior audiência ainda exibe grandes quantidades de anúncios de alimentos não-saudáveis.

Alimentos ricos em gordura, sódio e açúcar são muito divulgados na TV de países como Reino Unido e Brasil

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