Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Laboratório da UFRJ busca sintetizar ciclopeptídeos-quinona

A busca por novos fármacos é uma constante na medicina, e na área oncológica não poderia ser diferente. O professor Alcides José Monteiro da Silva, do Programa de Oncobiologia da UFRJ, lidera uma dessas tentativas. Sua equipe trabalha com o objetivo de sintetizar ciclopeptídeos-quinona, substâncias totalmente novas, mas que agregam propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas já conhecidas na literatura, o que “diminui as nossas chances de criar algo que não vai funcionar”, afirma o professor. A síntese dessas substâncias é algo inédito no Centro de Ciências da Saúde (CSS), da UFRJ.

Quando Alcides decidiu seguir essa linha de estudo, quis fazer algo que fosse quimicamente e farmacologicamente interessante. “Pesquisando, cheguei aos ciclopeptídeos, que são substâncias que possuem atividade antitumoral. Alguns deles, como a ‘actinomicina D’, já são amplamente usados em tratamentos quimioterápicos. Nosso projeto visa agregar o que é essencial do núcleo ciclopeptídeo a uma porção quinona. As quinonas também são eficientes contra linhagens tumorais, além de terem atividade antimicrobiana, antiviral e antimalarial”, explica.

Por meio da hibridização molecular, o grupo de pesquisa busca unir o núcleo ciclopeptídeo ao núcleo quinona, criando uma nova substância que pode ser muito útil no combate ao câncer. “Ainda não temos como saber se essa nova substância realmente funcionará. Porém, sabe-se que, separadamente, tanto o ciclopeptídeo quanto a quinona são muito importantes”, diz o professor.

Aproveitamento de substâncias intermediárias

Alguns intermediários no processo de formação do ciclopeptídeo-quinona já têm atividade antitumoral descrita. Esses compostos produzidos “no meio do caminho” podem ser muito úteis. “Na fase atual, estamos submetendo esses intermediários a avaliação. As primeiras substâncias sintetizadas já foram enviadas para ensaios iniciais no laboratório da professora Vivian Rumjanek, do Instituto de Bioquímica da UFRJ. Neste laboratório, a eficiência dessas substâncias está sendo testada em cinco linhagens celulares de leucemia humana”, explica Alcides.

A ideia é que, no final do processo, possa-se ter uma varredura do perfil antitumoral de todos os intermediários, sem desperdiçar nenhuma substância produzida no decorrer dos trabalhos.

Além disso, como os ciclopeptídeos-quinona são moléculas inéditas, há sempre o interesse em se patentear o processo de produção. “Dessa forma, queremos criar um processo novo, que gere substâncias originais com atividade antitumoral satisfatória. Além disso, vamos investigar seus possíveis mecanismos de ação”, explica.

“Acredito que, daqui a quatro ou cinco anos, já tenhamos os ciclopeptídeos. Para isso, dependemos muito da variável humana, ou seja, de pessoas que tenham interesse em participar desse projeto”, finaliza o professor.

Prof. Alcides e equipe, no CCS (UFRJ)

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