Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Nova plataforma de tratamento do câncer

Gabriel Machado
 
Pela primeira vez no Brasil, uma nova plataforma de tratamento contra o câncer de mama começa a ser comparada aos tratamentos convencionais. O estudo iniciado pelo pesquisador Raul Maranhão, da Universidade de São Paulo, encontra-se em fase dois de estudos clínicos no Hospital Pérola Byington, de São Paulo, sob a direção do professor Roberto Hegg.
 
A nova abordagem de tratamento desenvolvida pela equipe de Maranhão consiste em encapsular o quimioterápico convencional com a partícula LDE, que é muito parecida com o LDL (lipoproteina de baixa densidade), porém sem a proteína de membrana apo B, que é altamente hidrofóbica e muito grande.
 
A célula neoplásica, por apresentar uma alta taxa de multiplicação, superexpressa receptores de LDL. Quando injetada na circulação, a LDE se ligará com mais afinidade que o LDL nos receptores e terá uma concentração até seis vezes maior no tumor do que nos outros tecidos. Estudos de toxicidade mostraram uma redução de até dez vezes nos efeitos colaterais desta nova metodologia. “A ação da LDE torna a droga mais efetiva na sua ação antitumoral”, explica Raul.
 
Atualmente, os pesquisadores realizam testes em pacientes com câncer de mama para comparar a eficácia do tratamento convencional com a nova plataforma proposta. Nessa fase do estudo clínico, um grupo com 30 pacientes recebe o esquema convencional onde são utilizados os quimioterápicos taxol, adriamicina e ciclofosfamida injetados de forma livre no organismo. Outro grupo, também 30 pacientes, recebe a adriamicina e a ciclofosfamida de forma livre e o taxol encapsulado pela partícula LDE.
 
“Por mais que os testes clínicos ainda estejam na metade do caminho, os resultados preliminares parecem promissores”, afirma Maranhão. Apesar de dois dos três quimioterápicos ainda serem administrados de forma livre, somente o encapsulamento de um quimioterápico já foi o suficiente para reduzir drasticamente os efeitos colaterais. Esse projeto tem parceria com a indústria farmacêutica Cristália que possui interesse nesse novo sistema para o uso com os quimioterápicos paclitaxel e etoposide.
 
Além do tratamento de câncer, essa nova plataforma pode ser utilizada para vários outros processos inflamatórios crônicos e já é objeto de estudos do grupo para doenças como artrite reumatóide, aterosclerose, doença coronária do transplante e endometriose. Esses resultados foram divulgados durante a XXVII Reunião anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, que acontece até o dia 25 de agosto, em Águas de Lindoia, São Paulo.
 

 

design manuela roitman | programação e implementação corbata