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Comitiva brasileira visita universidades nos EUA

A professora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e afiliada ao Programa de Oncobiologia Lina Zingali, , integrou uma comitiva organizada pelo CNPq e pela Capes e que visitou universidades nos Estados Unidos para negociar vagas e melhorar a qualidade do intercâmbio de alunos brasileiros no país.
 
O esforço para ampliar o número de estudantes brasileiros nos Estados Unidos faz parte do programa Ciência sem Fronteiras, lançado em junho de 2011 pela presidente Dilma Rousseff com os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, objetivando levar 101 mil alunos para cursos em universidades do exterior.

Segundo Zingali, a princípio, a ideia não é implementar os pontos positivos do sistema americano nas universidades brasileiras, mas sim entender melhor a forma de trabalho de lá para melhorar a qualidade do programa de intercâmbio Ciência Sem Fronteiras, direcionando e orientando melhor os alunos.

“Comparando o sistema universitário americano com o brasileiro, posso afirmar que as diferenças são gigantescas. Os sete dias em que estive lá não foram suficientes para que eu entendesse tudo”, afirma a professora.
O grupo do qual Lina fez parte visitou as regiões de Baltimore, Maryland, Nova Jersey, Washington e Nova York. A comitiva visitou dois community colleges, que se assemelham aos cursos técnicos de nível superior no Brasil, com uma formação menos teórica e mais voltada para a prática profissional, por um lado, mas que podem corresponder aos dois primeiros anos da universidade por outro, dependendo do interesse do aluno. Além disso, conheceram também duas universidades fundadas no século 19 que no passado aceitavam apenas alunos negros, a Howard e a Morgan; também o Stevens Institute of Techonology, em Nova Jersey, a Stony Brook University e Parsons The New School for Design, em Nova York, a Hutgers University, em Nova Jersey.

Nos EUA não existe universidade gratuita. “Por isso, muitas pessoas que pretendem cursar a universidade normal, no futuro, optam por estudar os dois primeiros anos em uma community college, porque são mais baratas. Muita gente faz uso desta estratégia. Outra diferença é que o americano não escolhe a faculdade que vai fazer com 17, 18 anos. Ele vai para o college. Lá ele escolhe uma área ampla (engenharias, ciências econômicas, biomédicas, artes, etc). O interessante é: se ele vai para uma área, é obrigado a escolher cursos de outras duas áreas. Se um aluno vai fazer engenharia, ele deve cursar uma matéria também de ciências sociais e outra de artes, por exemplo. Após esta formação mais geral, o aluno decide qual faculdade deseja seguir”, explica.

Além disso, para fazer universidade nos EUA, os alunos estrangeiros devem falar e escrever perfeitamente em inglês. “O país oferece cursos de inglês de altíssima qualidade aos estudantes que não dominam o idioma. Nesta viagem, percebemos ser possível adotar um modelo interessante, que é oferecer o curso de línguas para os nossos alunos brasileiros que vão para o programa Ciência Sem Fronteiras no community college, que é mais barato, e depois direcioná-lo à universidade”, continua.

Outra diferença marcante é que a quantidade de horas/aula nas universidades americanas é significativamente menor que no Brasil. “Aqui no Brasil oferecemos uma carga muito alta de conteúdo aos alunos. O estudante brasileiro, consequentemente, desenvolve menos sua autonomia. Ouvindo os testemunhos de brasileiros, descobri que eles adoram o método das universidades americanas, pois estudam por conta própria, correm sozinhos atrás da informação e aprendem muito mais, aproveitando melhor o curso”, diz.

Essa visita tem como norte indicar caminhos de internacionalização das universidades brasileiras, não só com os EUA como com o mundo inteiro. “Queremos formar um aluno cada vez mais global, que esteja aberto a novos olhares e novas formas de pensar, mesmo que seja para resolver uma questão local”, finaliza a professora.

O programa Ciência sem Fronteiras conta com orçamento de cerca de R$ 3,1 bilhões do governo federal, destinados a 75 mil bolsas durante quatro anos. As 26.000 bolsas que completam o programa serão financiados pela iniciativa privada. O Programa de Mobilidade Internacional da Ciência Brasileira visa ainda atrair jovens doutores talentosos e pesquisadores seniores para se fixarem no Brasil.

Com informações de Flamínio Araripe (Jornal da Ciência)

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