Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pesquisa busca formas de diminuir multirresistência dos gliomas às drogas

Priscila Biancovilli

Um trabalho desenvolvido na UFRJ pela doutoranda portuguesa Ema Torrado investiga a proteína MRP1 (multidrug resistance-associated protein 1), uma das bombas de efluxo presentes na membrana das células e que são um dos principais mecanismos responsáveis pela resistência das células tumorais à quimioterapia. “Pretendo estudar esse fenômeno de multirresistência às drogas nas células tumorais, especificamente nos gliomas. Observando o comportamento dessas bombas de efluxo e modulando a ação delas, esperamos neste trabalho conseguir aumentar a concentração do quimioterápico dentro da célula, melhorando a eficiência do tratamento contra o câncer”, explica a aluna.

Essas bombas de efluxo existem nas células em geral e claro em diferentes tipos de células cancerígenas. Evidências recentes na literatura apontam para um papel relevante do MRP1 especificamente em gliomas. Existe também a P-gp (Glicoproteína-P) e o ABCG2, mais conhecido como BCRP (breast cancer resistance protein). Essas parecem ser os três principais transportadores ABC (que existem sobretudo para transportar produtos para fora da célula) no glioma.

“Aqui trabalhamos com várias linhas celulares de glioblastomas humanos em cultura. Essas células parecem expressar muito MRP1, como já descrito para glioblastomas. Pretendemos tentar modular a expressão destas proteínas nas nossas linhas. Quem sabe assim, entender a função fisiológica para tais proteínas nestas células tumorais,” afirma Ema.

Recentemente, descobriu-se que uma grande variedade de tumores tem uma população residual com características de células-tronco. Essa sub-população representa uma minoria dentro da massa tumoral, mas faz uma grande diferença, podendo estar na origem de cada tumor. Elas são também responsáveis pela reincidência do câncer, mesmo após os tratamentos, pois apresentam maior resistência aos medicamentos. “Agora, nossa equipe está também direcionada para a caracterização dessas células-tronco – no nosso caso, estudamos a resistência das células-tronco dos glioblastomas a fármacos. Acreditamos que só assim será possível atacar a raiz do problema. Essas células, especificamente, parecem segundo a literatura expressar muito mais esses transportadores do que as demais células tumorais que são a maioria”, diz.

O glioblastoma é um tipo de tumor glial, um glioma, caracterizado por ser muito agressivo e fatal. Em geral, a doença só é detectada quando já está em estágio avançado, podendo evoluir por muito tempo de forma silenciosa, sem apresentar nenhum tipo de sintoma. Em estágio avançado, a doença manifesta-se sob a forma de confusão mental, principalmente, e fortes dores de cabeça. Nesses casos, em geral a sobrevida é de apenas cinco anos. O tratamento para essa doença une cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Na cirurgia, retira-se o máximo possível da massa tumoral. Porém, nem sempre essa é uma opção plausível, porque às vezes o tumor está em uma região inalcançável do cérebro e, mesmo se retirado, células deste tumor permanecem e proliferam fazendo o tumor reaparecer, e aí mais fatal ainda ele é.

“Um dos objetivos universalmente perseguido é poder no futuro utilizar medicamentos quimioterápicos administrados em doses menores com a ajuda de estratégias adjuvantes, gerando menos efeitos colaterais nos pacientes”, finaliza Ema.

Ema Torrado é orientanda do Professor Vivaldo Moura Neto, membro do Programa de Oncobiologia. Tem a colaboração da professora Juliana Echevarria Lima do Instituto de Microbiologia, e é aluna de doutorado do Research Institute for Medicines and Pharmaceutical Sciences (iMed.UL) da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, sob orientação da Professora Dora Brites, com quem Vivaldo Moura Neto tem uma colaboração institucional.


Ema Torrado

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