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Metabolismo diferenciado é alvo de estudo com células tumorais

O grupo de pesquisa coordenado pelo professor Franklin Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, estuda o metabolismo das células tumorais. “Um trabalho que estamos desenvolvendo agora, em colaboração com a Unifesp, consiste em utilizar células murinas com vários níveis de diferenciação - normal, transformada em laboratório e metastática de melanoma. Queremos saber como funciona o metabolismo nas várias etapas do processo de carcinogênese. Começaremos este trabalho o mais rápido possível. A ideia é que em breve possamos utilizar também células humanas nos experimentos”, explica Franklin.

Os tumores sólidos apresentam um processo metabólico bastante distinto daquele encontrado nas células normais. A célula tumoral multiplica-se indefinidamente, ao passo que a normal dispõe de um controle para manter-se em quantidades equilibradas.

Quando uma célula cresce, ela passa a absorver mais nutrientes. A célula normal apela tanto para o metabolismo anaeróbio (sem oxigênio) quanto para o aeróbio (com oxigênio). Este último é até mais eficiente do ponto de vista de produção de energia. “A célula tumoral, curiosamente, não faz uso do metabolismo aeróbio. Isso é estranho porque seria possível imaginar, intuitivamente, que as células tumorais que se multiplicam com rapidez tivessem um metabolismo mais eficiente quanto à geração de ATP”, afirma.

“Nos nossos modelos, começamos trabalhando com inibidores da enzima histona desacetilase. Verificamos que, nessas células, várias enzimas da parte anaeróbia do metabolismo são afetadas, e a célula tenta compensar isso ativando outras vias metabólicas. Ela se torna aparentemente mais oxidativa. Porém, a célula tumoral não está programada a usar este metabolismo oxidativo, e por isso seu desempenho piora. Ela não morre, mas para de crescer e não se prolifera mais. Provavelmente, tal metabolismo ativado na célula não a ajuda a manter o mesmo fenótipo de antes, de alta proliferação”, continua o professor.

Uma das hipóteses é que a célula tumoral não “gosta” muito do metabolismo oxidativo porque durante este processo são produzidas as espécies reativas de oxigênio. “A célula tumoral evita isso selecionando um sistema chamado redox, no qual existem várias enzimas ligadas à eliminação destas espécies reativas de oxigênio. Este também passa a ser um novo alvo. Alguns estudos mostram que se você bloqueia o sistema que elimina estas espécies reativas, a célula tumoral sofre com isso. Quando os radicais livres se acumulam, a célula morre”, explica.

“Outra curiosidade é que no tumor existem gradações de metabolismo. As células que estão na periferia têm acesso a oxigênio, mas aquelas que se localizam em seu interior, não. Nesse trajeto de fora para dentro existem diferentes tipos de metabolismo, o que é algo bastante complexo”, continua.

Tais fatos abrem avenidas de investigação, em que se podem buscar formas de afetar o comportamento da célula tumoral explorando esta peculiaridade. Assim, futuros tratamentos contra o câncer poderão atacar primariamente apenas as células tumorais, mantendo as saudáveis intactas – algo que não ocorre atualmente. É com esse objetivo que o laboratório de Franklin começa a trabalhar agora.

 

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