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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pesquisa investiga abordagem do câncer em jornais

Priscila Biancovilli

Uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia da UFRJ investiga a maneira como grandes jornais brasileiros abordam a temática câncer em suas reportagens de capa. O objetivo é descobrir se existem padrões neste tipo de divulgação, e se a mídia impressa colabora para a perpetuação de estigmas negativos sobre a doença.

Para a execução do trabalho foi adquirido um clipping com mais de 900 reportagens que continham a palavra-chave câncer, entre janeiro e junho de 2010. Os jornais analisados foram O Globo, O Dia, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Extra. Destas, foram separadas as reportagens com chamadas de capa, e restaram apenas 45 notícias. Tal fato demonstra que o tema câncer não é tão recorrente na primeira página destes jornais.

Em um segundo momento, as reportagens de capa foram separadas em duas categorias: aquelas com “foco em câncer”, ou seja, que realmente abordam o tema como assunto central, e aquelas com “referência mínima ao câncer”, cujo assunto central não é a doença, mas ela é citada de alguma forma. O grupo “foco em câncer” somou 17 reportagens, e o “referência mínima”, 28.

Foco em câncer

Entre as reportagens com foco em câncer, curiosamente um dos cânceres mais comentados foi o de peritônio. Apesar de não ser muito incidente, a grande divulgação da doença aconteceu por conta da apresentadora de TV Hebe Camargo, que à época tratava este câncer. Todas as reportagens de capa sobre a apresentadora foram publicadas em jornais considerados populares (Extra e O Dia).

Os jornais ditos de elite priorizam outros temas quando se fala de câncer na primeira página, entre eles: prevenção, radioterapia, pesquisas científicas, tratamento e inovações científicas. Já os jornais populares optam por assuntos como cura, perseverança, plano de saúde, tratamento e vacinas. Considerando todas as reportagens com foco em câncer, apenas uma noticiou uma morte relacionada à doença – na ocasião em que um jovem integrante do AfroReggae morreu de leucemia.

Referência Mínima

As reportagens de referência mínima, que são maioria, foram publicadas em grande parte dentro das editorias que tratam de vida e saúde. Em segundo lugar estão as editorias de TV, arte e cinema. Dentre as 28 reportagens que fazem referência mínima à doença, nove delas relacionam-na de alguma forma à morte. Mesmo que a notícia não tenha relação direta com o câncer, o fato de a doença estar relacionada à morte – ainda que em uma história de ficção – colabora para a propagação do estigma negativo da doença. Três reportagens trazem metáforas de guerra, ligando o termo câncer a palavras como luta, batalha e guerra.

O próximo passo da pesquisa consiste em desenvolver grupos focais com jovens e adultos, para entender melhor a opinião do público sobre essas matérias e a interpretação que eles dão aos textos jornalísticos. O projeto faz parte do edital Jovens Cientistas do Nosso Estado, da Faperj.

 

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