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Pesquisadores holandeses desenvolvem vacina contra melanoma

Em 2011 é celebrado o ano da Holanda no Brasil. A data comemora os laços de amizade entre os dois povos, além do centenário da imigração holandesa em terras brasileiras.  Para colaborar com a integração entre os dois países, o OncoNews entrevista a professora Jolanda de Vries, pesquisadora do Departamento de Imunologia Tumoral da Universidade Radboud, em Nijmegen, Holanda. O grupo de Jolanda pesquisa formas de tratar o melanoma através de terapias com células dendríticas (CD). Atualmente eles desenvolvem uma vacina que pode fazer o sistema imunológico humano reconhecer células tumorais e atacá-las.

Quando esta pesquisa começou? Por que vocês escolheram trabalhar com células dendríticas?

A pesquisa começou em 1997. Nessa época descobriu-se que é possível fazer células dendríticas a partir de células do sangue. Depois tornou-se claro que essas células dendríticas desempenham um papel especial no sistema imunológico: elas apresentam pequenos pedaços do tumor a células Killer T, que por sua vez são capazes de destruir o tumor.

No nosso corpo, as células dendríticas têm a função de reconhecer inicialmente os antígenos e apresentá-los aos linfócitos T, daí sua extrema importância dentro do sistema imunológico humano. As CD aparecem em pequenas quantidades na medula óssea, no sangue periférico, em tecidos linfóides, pele e mucosa, assim como em quase todos os órgãos e até mesmo no tecido tumoral. Em seu estágio imaturo, ela pode capturar antígenos com muita eficiência e transformá-los em peptídeos. Após estimulação por citocinas ou moléculas sinalizadoras advindas de patógenos, as células dendríticas amadurecem, e a expressão de antígenos leucocitários humanos (HLA) e moléculas co-estimuladoras é bastante aumentada. Isso acontece nos gânglios linfáticos, para onde as CD migram e ativam células de defesa específicas (células T).
Essa terapia é utilizada na Universidade Radboud em pacientes com melanoma. As células dendríticas do próprio paciente são adaptadas em laboratório de forma a ensinar seu sistema imunológico a reconhecer células tumorais. Quando estas células são injetadas de volta no paciente, elas buscam o tumor e o atacam.

Por que vocês escolheram pacientes com melanoma? Quantos pacientes já participaram da pesquisa?

Escolhemos pacientes com melanoma porque, neles, as células killer T foram encontradas ativas sem que houvesse indução através de células dendríticas modificadas. Pareceu então que, em se tratando de melanoma, essas células já estavam presentes naturalmente e o câncer, em alguns casos muito esporádicos, se curou por conta própria. O melanoma foi então classificado como um tumor imunogênico, que pode ser destruído pelo próprio sistema imunológico. Atualmente, acreditamos que, a princípio, todos os tumores podem ser destruídos desde que conheçamos o antígeno correto. No momento, trabalhamos apenas com o melanoma porque temos mais conhecimento sobre este tipo de câncer, e podemos também comparar resultados antigos com novas descobertas, por exemplo caso queiramos alterar algo na nossa vacina. Até agora mais ou menos 200 pacientes portadores de melanoma participaram da nossa pesquisa.

Quais são os resultados até o momento? Essa terapia é de fato eficiente?

No caso de pacientes em estado terminal, é difícil falar sobre resultados clínicos reais. Agora vemos que podemos utilizar células killer-T diretamente contra o melanona, e caso tenhamos sucesso. a expectativa de sobrevida dos pacientes aumentará de forma significativa. O tumor permanecerá estável por mais tempo, sem aumentar de tamanho.  
O problema é que nem todos os pacientes reagem da mesma forma ao tratamento. Buscamos agora entender porque esta terapia funciona para algumas pessoas e é um fracasso para outras. Pretendemos assim ajudar os pacientes que respondem de forma positiva à terapia com células dendríticas e oferecer uma outra alternativa de tratamento aos pacientes que não respondem.

Existe alguma previsão para que este tratamento saia dos laboratórios e chegue aos hospitais?

Ainda não existe uma previsão exata. Enquanto não conseguirmos ter sucesso com todos os pacientes continuaremos estudando e buscando outras possibilidades de melhorar nossa vacina de células dendríticas. Esperamos que, um dia, nosso grupo consiga produzir uma vacina extremamente eficiente e com poucos efeitos colaterais, de forma a curar o câncer.

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