Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Promessa menos invasiva e mais precisa para detecção do câncer de mama

Priscila Biancovilli

O grupo de pesquisa de Lea Mirian Barbosa da Fonseca, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), desenvolve há muitos anos projetos em câncer de mama, com destaque para diagnóstico precoce e menos invasivo. Nesse campo, trabalham com timina (base nitrogenada do DNA) marcada com radioisótopo Tecnécio (99mTc), que tem grande tropismo pelas neoplasias malignas na mama. A ideia agora, segundo Lea, é utilizar este radiofármaco com um novo equipamento lançado no mercado e que representa um grande avanço no diagnóstico não-invasivo do câncer de mama: o Molecular Breast Imaging.

A diferença deste equipamento é que permite acoplar as incidências da mamografia com detectores utilizados em medicina nuclear, que convertem diretamente o fóton em sinal eletrônico e produzem imagens cintilográficas de alta resolução das mamas para lesões de até 4 mm, com dose três vezes menor do que a utilizada para cintilografia de perfusão miocárdica. Segundo Lea, “a ressonância magnética tem mostrado uma especificidade maior que a da mamografia para os exames de mama”. Por isso, o grupo da medicina nuclear do Hospital Universitário está iniciando uma campanha dentro da própria UFRJ a favor da compra do equipamento, buscando apoio também de toda a comunidade acadêmica, governantes e fundações de pesquisa.

Caso o equipamento seja adquirido, Lea diz que pretende utilizá-lo para fazer trabalhos comparativos, incluindo a ressonância e  a Timina-99mTc, o radiofármaco desenvolvido pelo seu grupo de pesquisa. “Poderemos, assim, avaliar a sensibilidade e especificidade desse novo radiofármaco num aparelho muito mais sensível que outros”, explica.

A professora do Hospital Universitário ainda aponta outras vantagens do equipamento. Esta nova técnica de diagnóstico por imagem é mais confortável que a mamografia, pois não exige compressão da mama, e as imagens obtidas têm as mesmas referências anatômicas do tradicional exame. A segunda vantagem é que uma simples injeção do radiofármaco torna o diagnóstico muito mais preciso, pois ele se liga preferencialmente aos nódulos malignos, e não aos benignos. Um nódulo detectado na mamografia comum tem apenas 50% de chances de ser maligno.

Este novo método poderá vir a se tornar padrão ouro para diagnóstico precoce de lesões mamárias. Existe a vantagem de o exame já estar na tabela SUS e na Associação Médica Brasileira como cintilografia mamária. No entanto, este método é atualmente pouco utilizado devido à baixa sensibilidade dos aparelhos até o momento disponíveis na rede SUS.

Sobre o novo equipamento, existem apenas cinco em funcionamento no mundo, e um deles está chegando no Brasil, na Universidade de Brasília (UnB). De acordo Lea Mirian, “o aparelho possui uma sensibilidade de 94% e especificidade de 96%. As lesões detectadas por ele são tão pequenas que, muitas vezes, passam despercebidas mesmo pela mamografia. Mulheres jovens têm a mama mais densa, e isso também prejudica a detecção de nódulos”.

 “A compra deste aparelho pela UFRJ representaria uma enorme passo, não só para nosso grupo de pesquisa, mas para toda a universidade”, afirma a professora. O equipamento serviria tanto para atender pacientes quanto como suporte para experimentos de diversos grupos de pesquisa, dentro e fora da UFRJ.

 “Tê-lo aqui, à disposição da população, facilitaria o diagnóstico precoce de câncer de mama, uma das maiores causas de morte entre as mulheres. Diminuiríamos o número de internações e a quantidade de exames solicitados para descobrir se uma lesão na mama é maligna ou benigna, além de evitar biópsias desnecessárias. Ou seja, devemos pensar não apenas no custo do aparelho, mas também na economia de tempo e dinheiro que ele nos trará, e no aumento da qualidade de vida das pacientes”, esclarece a professora.

V Simpósio de Oncobiologia

O pesquisador Jorge Filmus, do Departamento de Bioquímica da Universidade de Toronto e o médico e pesquisador Roger Chamas, da Universidade de São Paulo, já confirmaram suas palestras durante o V Simpósio de Oncobiologia, nos dias 29 e 30 de setembro de 2011.
E você, já fez sua inscrição ? Se for apresentar poster, concorre a prêmios. 
Entre no site do Programa www.oncobiologia.bioqmed.ufrj.br e preencha o formulario disponível. Não deixe para última hora. 

design manuela roitman | programação e implementação corbata