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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Uma pitada de tempero contra o câncer de mama

Uma pitada de tempero contra o câncer de mama
Priscila Biancovilli
 
Grupo do Programa de Oncobiologia, coordenado pela pesquisadora Eliane Fialho, do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, mostra evidências do papel que algumas especiarias comuns na alimentação dos brasileiros desempenham contra o câncer de mama. A pesquisa, que se iniciou em março de 2011, está sendo desenvolvida pela doutoranda Renata Polinati e já apresenta resultados preliminares.
 
Seu projeto busca avaliar o efeito no câncer de mama de outros compostos bioativos presentes no curry (curcumina), pimenta do reino (piperina), pimenta vermelha (capsaicina) e gengibre ([6]-gingerol).
 
“Até o momento tenho resultados dos efeitos dos compostos isolados nas culturas de células de câncer de mama. E o que está sendo observado é que a curcumina, como já bem descrita na literatura em seus efeitos isolados, diminuiu a viabilidade celular, ou seja, matou as células cancerosas em 60% quando foram tratadas em uma concentração de 50µM por 24 horas. E os resultados para piperina e [6]-gingerol também tem sido interessantes, pois em concentrações de 100µM, diminuem a viabilidade de células cancerosas de mama em até 60%”, explica Renata.
 
No momento, a doutoranda realiza ensaios de combinação das especiarias e das especiarias com o quimioterápicos. “Esperamos ansiosamente os resultados, uma vez que não foram encontrados trabalhos na literatura com a curcumina, o [6]-gingerol, a capsaicina e a piperina relacionados aos seus efeitos sinérgicos e associados ao quimioterápico na terapia do câncer de mama. Uma investigação deste tipo será importante para gerar melhores perspectivas, além de esclarecer uma possível estratégia terapêutica para uma doença que acometerá milhares de mulheres no mundo nos próximos anos”, continua.
 
Etapas da pesquisa
O trabalho possui três etapas iniciais de investigação. A primeira visa verificar a ação isolada das especiarias (curcumina, piperina, capsaicina e [6]-gingerol) em culturas de células de câncer de mama e seus possíveis efeitos citotóxicos em células normais de mama. Uma outra vertente é verificar a ação combinada das especiarias (combinar duas especiarias = seis combinações no total) em culturas de células de câncer de mama e seus possíveis efeitos citotóxicos em células normais de mama. E por último, pretendem analisar a ação das especiarias quando combinadas a um quimioterápico (combinar uma especiaria com um quimioterápico = quatro combinações) em culturas de células de câncer de mama e seus possíveis efeitos citotóxicos em células normais de mama.
“Após identificar a melhor estratégia terapêutica in vitro relacionada à associação entre os compostos e também à associação entre os compostos e um quimioterápico, analisarei o seu efeito no ciclo celular e também na morte celular programada (apoptose) e as possíveis vias de sinalização relacionadas. Por último, vou verificar se seus efeitos produzidos estão relacionados com a produção de espécies reativas de oxigênio e correlacionar com o estresse oxidativo celular”, enumera Renata.
 
Importância dos fitoquímicos
Os fitoquímicos são de vital importância para a saúde humana, pois podem eliminar espécies reativas de oxigênio responsáveis pelo risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer. Concomitante a isso, alguns fitoquímicos têm demonstrado efeito inibidor da carcinogênese, e por isso, são referidos como agentes quimiopreventivos. Estes são encontrados em diversos alimentos de origem vegetal, chamados de alimentos funcionais. “As especiarias são consideradas alimentos funcionais e têm sido utilizadas por milhares de anos para melhorar a qualidade sensorial dos alimentos, e a quantidade e variedade consumida nos países tropicais é particularmente extensa. Esses temperos possuem fitoquímicos responsáveis pelas suas propriedades quimiopreventiva e quimioterápica”, afirma Renata.
 
Apesar de a pesquisa ainda estar em seu estágio inicial, “é fato que não é necessário aguardar nossos resultados para começar a introduzir essas especiarias, assim como frutas, verduras e legumes na nossa dieta”, finaliza.

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