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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Estratégias contra o câncer de mama: Mapa de proteínas e veneno de serpente

Priscila Biancovilli

Um trabalho coordenado pela professora Lina Zingali, do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da UFRJ, busca na superfície das células tumorais proteínas que podem ser usadas como alvo contra o câncer de mama. A partir da linhagem celular HCC 1954, de tumor de mama, o projeto segue duas vertentes principais. O primeiro consiste no desenho do mapa geral das proteínas que compõem esta célula, principalmente daquelas situadas na membrana. A outra vertente busca verificar o efeito das desintegrinas – proteínas presentes em veneno de serpente - nesta linhagem de tumor de mama.

“Esta linhagem foi escolhida pelo fato de o seu genoma já ter sido completamente analisado, e havia um interesse do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em se desenhar o mapa das proteínas desta célula. Realizamos este trabalho junto com a doutora Eliana Abdelhay do INCA. Comparamos as células de linhagens tumorais agressivas com outras não-agressivas”, explica Lina.

O grupo do professor Robson Monteiro (IBqM/UFRJ) já havia mostrado que, quando se comparam duas linhagens celulares de tumor, sendo uma agressiva e a outra não, a capacidade de formação de trombos (coagulações de sangue no interior dos vasos sanguíneos) é aumentada nas células agressivas. “A linhagem celular estudada pelo nosso grupo de pesquisa tem a mesma capacidade, dos tipos mais agressivos, de formar trombos. Esse foi nosso primeiro resultado”, afirma a professora.

 O laboratório de Lina trabalha durante muitos anos com proteínas de veneno de serpente. As desintegrinas – proteínas existentes no veneno – ligam-se a um tipo de proteína presente na superfície de alguns tumores, chamadas de integrinas, impedindo o crescimento tumoral, adesão celular e metástase de algumas linhagens. “Queremos verificar o efeito das desintegrinas na linhagem de tumor estudada por nós, e vamos comparar com outras linhagens de tumor de mama. Depois, investigaremos se essas proteínas podem se transformar em um possível medicamento que ajude a impedir o crescimento tumoral ou a metástase”, diz.

As desintegrinas apresentam afinidades por integrinas específicas. Por isso o grupo investiga quais proteínas estão presentes na membrana da célula desta linhagem de tumor. “Com isso, veremos qual o principal tipo de integrina presente nela, para que possamos redesenhar estas proteínas, por biologia molecular. Este é um projeto de longo prazo, e ainda temos muito trabalho pela frente”, afirma a professora.

Na maior parte dos testes já realizados no laboratório de Lina e da professora Christina Barja Fidalgo, da UERJ, foram utilizadas células de melanoma, que são escuras. O tumor, que tem tropismo pelo pulmão, é injetado em camundongos. Em seguida, o pulmão do animal é aberto e contam-se quantas células escurecidas existem ali, mostrando que existe metástase. Quando a proteína do veneno de serpentes é administrada, o número de metástases no pulmão diminui.

“Vamos montar também modelos in vitro, em que analisaremos a adesão dessas células em diferentes componentes da matriz extracelular (conjunto de materiais que circundam o exterior das células), que são importantes para a adesão da célula tumoral e crescimento dela fora do local de origem (metástase). Já os testes in vivo levarão entre seis meses e um ano para começarem a ser realizados”, diz.

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