Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Terapia visa diminuir estresse dos pacientes com câncer e seus cuidadores

Priscila Biancovilli

Quando um paciente é diagnosticado com câncer e inicia o tratamento, torna-se bastante dependente de sua família, que deve prover-lhe carinho e atenção de forma a minimizar o sofrimento causado pela doença. Porém, os acompanhantes dos pacientes também estão submetidos a altas doses de estresse, e muitas vezes não passam por nenhum acompanhamento médico e psicológico. Um projeto desenvolvido pela aluna de pós-doutorado do Programa de Oncobiologia da UFRJ, Ana Carolina Mendonça de Souza, visa diminuir o estresse da dupla cuidador-paciente, nos casos em que os pacientes se encontram em estágio avançado da doença, sem possibilidades de cura.

“O trabalho inclui suporte social e relaxamento. Estes são dois fatores que, conforme sabido, contrapõem os efeitos do estresse”, explica. A técnica consiste em ensinar massagens e exercícios de respiração muito simplificados. Não queremos aplicar uma metodologia que dependa de um profissional, por isso as atividades serão bastante simples e de fácil entendimento. Cada paciente trabalhará com seu cuidador, de forma autônoma.

Início do projeto

As primeiras duplas de cuidadores-pacientes serão selecionadas a partir da segunda metade de julho, na unidade HC-IV do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é a área de cuidados paliativos. Serão recrutadas entre 60 e 80 duplas, divididas através de sorteio em dois grupos: o grupo de intervenção (que vai participar do projeto, além de receber o acompanhamento padrão do hospital) e o grupo de controle (receberá apenas o acompanhamento do hospital).

Ao grupo de intervenção serão ensinadas as técnicas de massagens e respiração, que o paciente deve fazer junto do cuidador, em casa. “Montamos uma cartilha para passar algumas pequenas noções, mas a ideia é não ser muito rígido. Mesmo que eles mudem um pouco o que está escrito, o mais importante é que parem por um momento e não pensem em nada negativo. Além da cartilha, daremos um CD com sons agradáveis da natureza e óleo de amêndoas, para ajudar a criar um momento relaxante e positivo. É importante que as duplas façam pelo menos um exercício por dia, que deve durar entre 15 e 30 minutos”, explica Ana Carolina.

“Por que escolhemos trabalhar com duplas? Por causa do suporte social. Muitas vezes o cuidador ajuda o paciente em momentos negativos. A nossa proposta com os exercícios de massagem e respiração é criar momentos de interação positiva, assim, eles não estariam juntos porque dependem um do outro, mas sim porque é agradável”, continua.

Pacientes em estágio avançado

Ao contrário do que imagina o senso comum, os pacientes com câncer em estágio avançado nem sempre vivem acamados e aparentam extrema fragilidade. Muitos deles caminham, movimentam-se e conversam normalmente. Como não há mais possibilidades de cura, a quimio e radioterapia são interrompidas e o paciente passa a receber o atendimento na unidade de cuidados paliativos, onde os profissionais trabalham focados na qualidade de vida do paciente.

Toda vez que a dupla voltar ao hospital, serão realizadas medidas fisiológicas e psicométricas. Eles responderão a questionários sobre a situação emocional e bem-estar, além de fazerem coleta de sangue e saliva. A pesquisadora pretende medir os níveis dos hormônios cortisol, ligado às respostas de estresse, e ocitocina, ligado às sensações de relaxamento e prazer. “Além disso, avaliaremos no sangue as células NK (natural killers), que aumentam seu número e se tornam mais ativas quando o corpo passa por estímulos positivos. Essas células têm um papel importante no combate a infecções virais e células tumorais”, diz.

Temos boas expectativas em relação ao projeto. A pesquisadora espera apresentar os primeiros resultados no Simpósio de Oncobiologia da UFRJ, em setembro, e os resultados finais no final de 2011.

Dra. Ana Carolina Mendonça de Souza, pós-doutoranda do Programa de Oncobiologia.

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