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Pesquisa da UFRJ é destaque em Simpósio de Imunobiologia de Tumores

Priscila Biancovilli

Um projeto do Programa de Oncobiologia da UFRJ destacou-se entre os três melhores do último Simpósio de Imunobiologia de Tumores, ocorrido entre os dias 20 e 22 de maio em Botucatu, no estado de São Paulo. Desenvolvido pela doutoranda Juliana Maria Motta, do Instituto de Bioquímica Médica/UFRJ, o projeto envolve o estudo de células dendríticas humanas e a relação entre o desenvolvimento e a função dessas células com produtos de tumores.

Dentro deste estudo, utilizam-se produtos secretados por células de leucemia. “O meu trabalho envolve analisar os produtos que são secretados pelas células leucêmicas e ver como eles podem interferir no desenvolvimento e função das células dendríticas. Esperamos entender como as células tumorais alteram o sistema imune, para a partir disso projetarmos alternativas que revertam esse quadro. A ideia é estimular o sistema imune dos pacientes com câncer a reagir contra o próprio tumor (imunoterapia do câncer)”, explica Juliana.

As células dendríticas são apresentadoras de antígenos, e dão início à resposta imune específica. Elas reconhecem antígenos tumorais, capturam-nos e os “apresentam” para os linfócitos T, dando início a uma resposta imune antitumoral. “Considerando-se que, no microambiente tumoral, as células do câncer secretam produtos que inibem as células dendríticas, a resposta imune pode ficar comprometida. Observamos que os produtos secretados por células de diferentes leucemias inibem a diferenciação dos monócitos em células dendríticas. Isso pode ser visto através de alterações fenotípicas nestas células”, diz.

“Quando diferenciamos monócitos em células dendríticas, de forma ideal, eles perdem a expressão de CD14 e passam a expressar CD1a. Portanto, CD14 é uma molécula característica de monócitos e, CD1a, característica de células dendríticas. Na presença dos produtos de células leucêmicas, notamos que os monócitos induzidos para diferenciação mantêm alta expressão de CD14 e baixa expressão de CD1a. Com isso, observamos que estas células não estão se encaminhando para o processo de diferenciação que está sendo induzido. Observamos também que há uma alteração na ativação destas células após a diferenciação, fazendo com que elas não cheguem ao seu estágio final de desenvolvimento”, continua.

A pesquisadora tenta identificar quais produtos tumorais são responsáveis por estas alterações. “Observamos em cultura in vitro que os produtos tumorais estimulam a produção de interleucina-1beta (IL-1beta) por estes monócitos que estão em diferenciação. A IL-1beta é uma citocina proinflamatória que tem um papel importante no crescimento e metástase do tumor. Quando neutralizamos esta citocina, conseguimos reverter parcialmente as alterações na expressão de CD14 e CD1a que havíamos notado antes. Acreditamos que a IL-1beta, além do seu papel na progressão tumoral, também é importante para a inibição do desenvolvimento e função de células dendríticas, e consequentemente para a supressão imunológica que se observa em pacientes com câncer. No entanto, este não deve ser o único fator, pois ainda não conseguimos fazer com que o processo de diferenciação celular se normalize completamente. Por isso, trabalhamos com a idéia de que outros produtos tumorais e produtos induzidos pelo tumor também participem do processo”, conclui Juliana.

O trabalho de Juliana é orientado pela professora Vivian Rumjanek e financiado pelo CNPq, CAPES e Faperj.

Juliana durante Simpósio em Botucatu-SP

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