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Pesquisa busca possíveis novos biomarcadores para tumores de rim

Priscila Biancovilli

O câncer de rim é o terceiro mais frequente do aparelho genitourinário e representa aproximadamente 3% das doenças malignas do adulto, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia. Uma pesquisa da aluna de doutorado do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, Vanessa Sandim – sob orientação da professora Lina Zingali - visa identificar proteínas presentes na urina que possam servir como marcadores da doença. A estudante começou a desenvolver este projeto durante seu mestrado. "Nessa primeira fase, trabalhei apenas com dois grupos de pessoas: portadores do câncer de rim de bom prognóstico e indivíduos saudáveis. Vi que existiam algumas diferenças entre esses dois grupos. Entre elas está a presença das proteínas MASP-2, Cininogênio e Heparan Sulfato. Essas proteínas estão presentes no grupo controle e sua secreção está diminuída nos pacientes", explica Vanessa.

A definição do prognóstico depende do tipo histológico do paciente e do TNM (onde T representa o tamanho do tumor, N é linfonodo regional comprometido e M é metástase à distância). No grupo de bom prognóstico, Vanessa incluiu os pacientes com grau de Fuhrman (histopatológico) 1 e 2 - bem diferenciados e moderadamente diferenciados, e os pacientes com Estadiamento 1 e 2 (relacionado ao TNM). Os pacientes com graus de Fuhrman 3 e 4 - pouco diferenciados e indiferenciados - e Estadiamento 3 e 4 são considerados de mau prognóstico. 

Cooperação internacional
"Minha co-orientadora Gilda Alves Brown e nossa colaboradora Denise de Abreu Pereira levaram minhas amostras de urina para Universidade de Jena, na Alemanha, através do convênio Capes/DAAD, e encontraram também a MASP-2 sendo secretada nas urinas de doadores saudáveis e não secretada na urina de pacientes, através de outra técnica proteômica chamada SELDI-TOF. No Brasil, utilizamos a técnica do gel 2D seguido de análise no espectrômetro de massas MALDI-TOF-TOF", diz.

"Já que detectamos a presença do MASP-2 através de duas técnicas proteômicas diferentes, decidimos que seria melhor começar nossos estudos a partir dela. No doutorado, padronizei o ensaio de ELISA (Ensaio de Imunoadsorção Ligado à Enzima), trabalhando com um pool de pacientes portadores da doença de bom prognóstico e um indivíduo saudável. Este primeiro ensaio com ELISA da MASP-2 confirmou o que já havia visto através das técnicas proteômicas, ou seja: os indivíduos saudáveis tinham MASP-2 na urina, e os doentes, não. Agora comecei a analise da secreção da proteína MASP-2 na urina de pacientes de bom e mau prognóstico, doadores saudáveis e outras patologias do sistema urinário, para confirmar que é específica dos pacientes com tumores renais", continua. 

Além disso, o grupo de pesquisa percebeu que, de acordo com o prognóstico do paciente, algumas proteínas vão desaparecendo, como por exemplo o Cininogênio. Nos indivíduos saudáveis existe uma maior secreção dessa proteína; nos de bom prognóstico há uma diminuição, e nos de mau prognóstico praticamente não se vê essa proteína. Em relação ao Heparan Sulfato, os pesquisadores viram que no grupo de pessoas saudáveis ela está presente, mas entre os portadores do tumor essa proteína praticamente não é secretada. 

Antonio Ornellas, médico do Inca e coordenador do projeto "Secretoma de câncer de rim e de câncer de pênis", do qual o trabalho de Vanessa faz parte, afirma que "os tumores de rim são diagnosticados por métodos de imagem. Muitas vezes os pacientes têm o seu diagnóstico em fases avançadas. Se tivéssemos um método que nos permitisse verificar por meio de um marcador ou no sangue ou na urina o tumor renal, poderíamos diagnosticar precocemente o tumor assim como acompanhar os pacientes já operados".

Futuro do projeto
"Agora estou buscando outros tipos de patologias renais, para que eu possa mostrar que estas proteínas são específicas apenas dos tumores renais, e não de outras doenças. No momento, trabalho com 30 pacientes e 30 controles", explica Vanessa. 

Ainda não se pode afirmar com convicção que as proteínas estudadas são de fato biomarcadores de tumores de rim, pois os testes ainda não foram finalizados. "Mas existem indícios de que, no futuro, elas venham a ter esta utilidade. Hoje, o único tratamento possível para pacientes com esta doença é o cirúrgico, já que este tumor não responde nem à quimio nem à radioterapia. Estamos estudando também um meio para uma possível nova forma de tratamento, mas esses são planos de longo prazo", finaliza.

O trabalho de Vanessa é realizado na Unidade de Espectometria de Massas e Proteômica do IBqM/UFRJ em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e é financiado pelo Programa de Oncobiologia da UFRJ.


Vanessa Sandim procura biomarcadores para tumores de rim

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