Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Análise das mutações do BRCA1 ajuda a detectar câncer de mama

Priscila Biancovilli

O câncer de mama é um dos mais frequentes no mundo inteiro e, sem dúvida, bastante temido pelas mulheres, já que afeta diretamente a feminilidade e sexualidade. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres brasileiras. Levando em consideração este problema, o grupo coordenado pelo professor Franklin Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, desenvolveu uma pesquisa que visa traçar um perfil genético da doença no Brasil, através da identificação de mutações específicas em determinado gene – o BRCA1 – como já é feito em algumas comunidades fechadas no mundo.

1- Quando o projeto teve início e quais as razões principais?
O projeto teve início em 2005. Dentre as duas razões principais para trabalharmos neste estavam, em primeiro lugar, a escassez de dados de populações brasileiras sobre mutações no gene BRCA1. Em segundo lugar, essa iniciativa teria a participação do Serviço de Mastologia do HUCFF (Hospital Universitário da UFRJ) e, como se sabe, a colaboração entre a pesquisa básica e médica tem sido uma meta desejável na UFRJ e no mundo em geral.

2- Qual a função dos genes BRCA1 e BRCA2 e de que forma ele foi estudado dentro de seu grupo de pesquisa?
Os genes BRCA1 e BRCA2 codificam proteínas de grande massa que estão primariamente envolvidas no sistema de reparo do DNA. Dessa forma, alterações nesses produtos possibilitam a fixação de defeitos no DNA, que se acumularem oportunamente levam à transformação celular. Como decorrência de seu papel na manutenção da integridade do DNA, encontrou-se de fato uma forte correlação entre a presença de mutações no gene BRCA1 e BRCA2 em mulheres (e raramente em homens) com câncer de mama. Há também dados que confirmam que tais mutações podem ser herdadas. Esse conhecimento fez com que, em muitas clínicas médicas, a detecção de mutações servisse de diagnóstico e muitos médicos com base nesses resultados passaram a recomendar mastectomia preventiva. Atualmente há mais cautela com relação a esse procedimento cirúrgico, pois se sabe que, para fechar um diagnóstico precoce de câncer de mama, é preciso analisar dezenas de genes envolvidos na regulação de várias vias metabólicas. Nosso grupo realizou a pesquisa sistemática de mutações em vários trechos do gene BRCA1 em amostras de pacientes com diagnóstico de câncer de mama.

3- Quais foram os resultados obtidos?
Foram encontradas mutações no gene BRCA1 na população analisada. Embora o número de amostras enviadas a nós pelo Serviço de Mastologia do HUCFF tenha sido relativamente pequeno, ficou claro que o gene BRCA1 tem uma participação importante no processo de tumorigênese e que a população brasileira difere pouco do padrão internacional.

4- Seu grupo de pesquisa avalia o efeito das mutações encontradas na conformação de domínios específicos da proteína BRCA1, codificada pelo gene. Vocês também pretendem pesquisar funções das proteínas mutantes e sua afinidade por ligantes fisiológicos. Como se daria esse processo?

O objetivo do nosso grupo era tentar correlacionar as mutações detectadas em certas partes do gene BRCA1 com modificações na bioquímica das células portadoras a fim de descobrir como de fato funciona o produto do gene BRCA1. Isto é, os defeitos analisados implicam em que modificação na função tanto do gene BRCA1 como em outros que interagem com ele dentro da complexa rede que se forma no contexto de reparo de DNA. Atualmente o projeto original evoluiu e estamos estudando também as mutações no DNA mitocondrial nesses casos de câncer de mama. Essa nova vertente tenta abordar aspectos do metabolismo oxidativo que possam deflagrar o processo de transformação celular via a produção de espécies reativas de oxigênio que, por seu turno, produzem mutações no DNA das mitocôndrias. 

design manuela roitman | programação e implementação corbata