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Cientistas descobrem correlação entre aglomerados de proteínas e agressividade no câncer de mama

Pela primeira vez, pesquisadores do Programa de Oncobiologia e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB) evidenciam correlação entre agregados da proteína p53 e a agressividade de tumores de mama. A p53 é amplamente conhecida por ser importante no controle natural de nossas células contra o câncer. A equipe analisou 88 biopsias de pacientes com câncer de mama e identificou 17 mutações classificadas em diferentes graus de malignidade. Todas as amostras mais agressivas do câncer de mama formavam agregados. Os resultados deste estudo acabam de ser publicados na revista The International Journal of Biochemistry & Cell Biology.

“O novo trabalho comprova a participação destes agregados em câncer de mama, especialmente nas mutações mais agressivas. Portanto, esses aglomerados podem ser usados como potenciais alvos para uma intervenção terapêutica além de um possível papel no prognóstico da doença”, explica o bioquímico Jerson Lima da Silva, coordenador do INBEB e professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

Mutações no gene que codifica a proteína p53 fazem com que ela não cumpra bem sua função, levando ao desenvolvimento do câncer, especialmente de mama. No entanto, parece que além de inativar a proteína, as mutações fazem com que elas adquiram um formato diferente. Assim, elas se aglomeram e grudam em outras p53 normais restantes, inativando-as também.

A bióloga Claudia Gallo, do Departamento de Genética da Uerj, que participou do projeto, explica que “mutações nesse gene são um dos eventos mais importantes na formação do tumor maligno. Portanto, a descoberta de agregados da proteína mutante, assim como a dependência de determinado tipo de mutação de tumores específicos para a formação destes agregados, aumenta ainda mais a importância científica da p53 no processo de carcinogênese”, enfatiza Claudia.

A aglomeração de proteínas já foi descrita em diversas doenças, como o Alzheimer, mas ainda é pouco conhecida sua atuação no câncer. Alguns trabalhos importantes deste grupo já apontavam que essa proteína era capaz de formar grumos em laboratório, mas é a primeira vez que a relação é evidenciada em amostras de tumores humanos.

A equipe de Jerson já estuda uma proposta para tratamento, que seria usar sequencias de ácido nucleio terapêuticos, que se ligam às proteínas e desmontam o complexo, fazendo com que as p53 normais restantes voltem às suas funções. “Publicamos recentemente outros trabalhos importantes, nas revistas científicas Biochemistry, em 2009, e Accounts of Chemical Research, em 2010, nos quais verificamos em experimentos in vitro que pequenos fragmentos de ácidos nucleicos artificiais conseguem reverter o estado inativo e impedir a agregação da proteína p53. Agora, estamos aperfeiçoando esses ácidos nucleicos para que não sejam atacados por enzimas e planejando os testes pré-clínicos”, completa Jerson. “Cabe ressaltar que caso essa terapia funcione em humanos, ela não reverterá a mutação da p53, mas impedirá que ela inative a proteína produzida pelo cromossoma não mutado, o que pode mudar o curso de determinados carcinomas e inclusive diminuir a chance de metástases “.

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