Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Lei Rouanet, patentes e muito mais

 Numa entrevista exclusiva, no fim de 2010, o OncoNews foi saber do coordenador do Programa de Oncobiologia, Dr. Marcos Moraes, as novidades sobre a proposta de criação de uma Lei Rouanet para o financiamento de instituições dedicadas ao tratamento do câncer, como facilitar o processo de depósitos de patentes e sua opinião sobre os 10 anos do Programa de Oncobiologia.
 
Onco News - Como o marketing da Fundação do Câncer mudou a imagem da instituição e de que forma a pesquisa e os serviços  têm se beneficiado com essa transformação?
Marcos Moraes –
Nesses 20 anos de funcionamento da Fundação, a instituição estava muito escondida. Primeiro, por um nome que não era auto-explicativo: Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer. Para qualquer pessoa de fora da nossa comunidade, era necessário explicar o que era, quem foi, para quem etc e aí aproveitamos o primeiro e último nome e ficou Fundação do Câncer.  Com essa mudança, se deu uma permeabilidade muito grande à Fundação e hoje, quando se fala nela, todos sabem o que é.  A mudança foi muito importante, porém difícil pois o nome Ary Frauzino carrega uma história. Ele foi cirurgião, diretor do Instituto e muito ligado ao Inca,  tendo formado várias gerações de cirurgiões  oncológicos. Porém, o público em geral não tinha noção.
  Esta transformação tem se dado nos últimos dois anos e hoje acreditamos que a sustentação do programa de transplante de medula, o aquecimento dos bancos de cordão umbilical, presente em oito estados brasileiros foram beneficiados por essa estratégia de marketing. São projetos muito fortes. Por exemplo, hoje o Brasil é o terceiro doador de medula, depois dos Estados Unidos e da Alemanha e temos a perspectiva de já no próximo ano ultrapassar este último país. Atualmente, temos mais de 2 milhões de doadores de medula no Brasil. A presença da Fundação do Câncer em termos nacionais deu suporte para essa alavancada.


OncoNews – O Sr. recebeu o prêmio Octavio Frias de Oliveira no início do ano. Durante a cerimônia de entrega do prêmio, o Sr. falou sobre a criação de uma Lei Rouanet para a saúde. Isso caminhou?
MM –
No dia que foi concedido o prêmio, o recebi das mãos do Vice-Presidente José de Alencar. Na ocasião, fiz um discurso sobre o problema do financiamento para as instituições filantrópicas de câncer e, então,  sugeri que tivéssemos um mecanismo de financiamento através da renuncia fiscal a exemplo da Lei Rouanet para cultura. Nesse exato momento, o Vice José de Alencar disse que gostava da ideia, encampava-a e queria ser o padrinho. A ideia caminhou e estamos evoluindo. A Lei está na versão final e no início de 2011 será apresentada.

OncoNews – Hoje os pesquisadores agraciados com o edital FAF/Onco recebem os recursos diretamente da Fundação em contas abertas para essa finalidade e depois prestam contas à FAF. Qual é a visão do Conselho de Curadores sobre os resultados dessas pesquisas e a evolução do Programa?
MM –
Vocês têm enviados os relatórios ? Esta é a forma do Conselho avaliar a evolução do Programa. Na reuniões anuais se apresentam os resultados e se faz um balanço e, ao que me consta, não há ainda relatório do Programa.


OncoNews – Um outro ponto-chave no Programa é a questão das patentes. Vários grupos afiliados à Onco têm desenvolvido patentes e enfrentam muitas dificuldades nesse processo. Na sua opinião, haveria alguma perspectiva para facilitar um depósito ?
MM –
Temos um projeto para o próximo ano que é o Plano de Negócios. Este é um item que pode também contemplar o programa. E dessa forma, precisamos ser “alimentados” por informações para que possamos viabilizá-lo.


OncoNews – Quais as dificuldades que o Sr. veria no Programa e, por outro lado, quais são as perspectivas para 2011.
MM –
Novamente, eu repito que precisamos de informações para saber o que está havendo e para onde devemos caminhar. Às vezes, é difícil ter ideia do que realmente acontece. A percepção é que está indo muito bem, mas precisamos de números para raciocinar. Se não fica algo mais poético do que racional.

OncoNews – 10 anos do Programa e quais as lições que o Sr. tiraria dessa década?
MM –
Existem pessoas que alavancam o programa, que dão a ele uma dinamização muito importante e, dessa forma, seguimos a sua filosofia inicial. O que foi concretizado até o momento é muita coisa comparado ao pouco financiamento realizado no Programa. Isso mostra que mesmo uma pequena organização aliada a diminuição da burocracia podem significar muito. As coisas andam muito rápido no Programa se comparadas com outras instituições de pesquisa, universidades. O modelo de organização da Oncobiologia, que só tem foco na pesquisa e na divulgação, sem conotação política, representa o seu sucesso. E o que nós tentamos é apenas viabilizar o trabalho das pessoas que querem trabalhar.


OncoNews – Como o Sr. observa as mudanças políticas já que nos últimos anos tínhamos um ministro sensibilizado pela questão do câncer. A temática câncer hoje seria intocável pois tem o apoio popular?
MM –
Nada é intocável, mas temos que ter esperanças no que a presidente eleita disse: “saúde é uma prioridade”. E acredito que quem virá como ministro, continuará  reconhecendo no Inca e na Fundação do Câncer  como instrumentos para o controle da doença no país.

design manuela roitman | programação e implementação corbata