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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Proteínas negligenciadas são alvo de pesquisa em câncer

Por Priscila Biancovilli - 03/11/2010

O grupo do professor Marcius da Silva Almeida, membro do Programa de Oncobiologia da UFRJ, propõe a caracterização funcional de diferentes proteínas que estão relacionadas a processos neoplásicos, a partir do estudo de suas estruturas tridimensionais. Um dos maiores diferenciais do seu projeto é justamente o foco: a grande preocupação com as chamadas proteínas negligenciadas, aquelas que quase não encontram espaço em artigos científicos.

A última novidade de seu grupo é a proteína BEX3 (Brain Expressed X-linked). “Trata-se de uma proteína que se liga a outras para gerar apoptose na célula e, a princípio, tal fato inibiria o crescimento de tumores. Estamos tentando mapear os parceiros de interação dessa proteína, identificando sua estrutura tridimensional. Até o início do ano que vem, pretendemos lançar um artigo sobre BEX3”, comemora o professor.

Marcius explica que o grupo da UFRJ identificou outra proteína (HCR-NTPase - Human Cancer Related) e montou a sua estrutura 3D por RMN. Segundo explica, o gene que a codifica tem uma expressão aberrante em alguns tipos de câncer. Por isso, pretendem agora descobrir mais detalhes sobre suas funções, utilizando a técnica Yeast Two-Hybrid System (Duplo Híbrido em Levedura), que permite identificar o mapa de interação dessa proteína. “Além dessas, trabalhamos com mais 17 proteínas negligenciadas relacionadas ao câncer de mama, e provavelmente estamos bem próximos de conseguir montar a estrutura de dois destes alvos, através da cristalografia”, esclarece.

Esta equipe da UFRJ busca identificar a estrutura de proteínas que estariam relacionadas ao câncer, mas ninguém sabe ainda como. Vários genes, cuja função ainda é desconhecida, podem estar relacionados com o desenvolvimento da doença. Entre outros motivos, isso acontece porque alguns desses genes têm uma expressão bastante alterada nas células tumorais, em comparação com as normais. “Ainda não temos certeza absoluta de sua associação com o câncer, apenas suspeitas”, diz.

A função de uma proteína depende não apenas de sua composição, mas também de sua estrutura tridimensional. Hoje em dia, pode-se determinar a estrutura 3D de uma proteína através de três técnicas. A primeira é a homologia: joga-se a sequência de aminoácidos que a compõe em um banco de dados na internet, e verifica-se se essa sequência é similar a alguma outra proteína já existente que tenha sua estrutura tridimensional identificada. A partir daí, podemos concluir que as estruturas 3D das duas proteínas sejam bem parecidas. Os outros dois métodos são experimentais. Um deles é a cristalografia: cristaliza-se a proteína e passa-se um feixe de raio-X por ela, que se difratará. Em seguida, consegue-se identificar sua estrutura. A outra técnica é a Ressonância Magnética Nuclear (RMN): deixa-se a proteína em solução, tentando mantê-la o mais próximo possível do ambiente fisiológico. Isso possibilita a estruturação do alvo de uma maneira mais fiel à realidade. 

“A ideia do nosso projeto é identificar o maior número possível de estruturas de proteínas, compreendendo melhor suas funções e, por fim, tendo condições de desenhar fármacos baseados no mapa detalhado da estrutura molecular dessa proteína”, explica Marcius. “Caso alguém do Programa de Oncobiologia esteja interessado em identificar as funções de alguma proteína, podemos trabalhar em conjunto, montando a estrutura desta proteína e, assim, facilitar a produção de fármacos. É possível trabalhar dessa maneira de forma bem eficiente”, finaliza o professor.

 

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