Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Equipes do Programa negociam fármaco com laboratório internacional

Por Marina Verjovsky

Três equipes do Programa de Oncobiologia, coordenadas pelos pesquisadores Paulo Ribeiro Costa, do Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais da UFRJ, Raquel Maia, do Inca, e Vivian Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, se uniram na busca de um novo medicamento contra o câncer. Após ótimos resultados obtidos nos laboratórios, a substância sintética LQB-118 (uma pterocarpanoquinona), busca o registro de patente internacional e desperta o interesse do setor produtivo.


Segundo Rogério Filgueiras, coordenador adjunto da Agência UFRJ de Inovação, a substância foi incluída recentemente na “Chamada Pública Biominas Nº 01/2010: Programa Prospecta Sanofi-Aventis”, um edital público dirigido aos interessados nos resultados patenteados. Entre os 50 selecionados, o projeto do Programa de Oncobiologia foi escolhido para a fase final de avaliação, num total de mais de 250 trabalhos submetidos nessa chamada. Os projetos selecionados serão contratados na forma de parceria ou de licenciamento (uma espécie de aluguel) dos direitos patentários e, então, serão realizados os estudos necessários na tentativa de produzir um novo fármaco anticâncer. Porém, ainda deve demorar caso o medicamento um dia consiga chegar ao mercado “O desenvolvimento de um novo fármaco é um processo lento e que envolve múltiplas etapas”, ressalta Raquel Maia.
 

Os resultados promissores da substância foram publicados este mês na revista Investigational New Drugs (o quarto artigo do grupo no tema). “O aspecto chave para a publicação do artigo foi a estreita parceria entre os grupos de pesquisadores dos três laboratórios, cujas experiências são complementares”, destaca Raquel Maia. Vivian Rumjanek completa: “É interessante como se formam essas interações. Nos juntamos ao grupo do Paulo, com vasta experiência em síntese de novas substâncias, para buscar alguma eficiente contra células cancerosas. Depois de anos, chegamos à LQB-118 e finalmente pudemos testá-las em células de pacientes com o grupo da Raquel, com o qual já colaborávamos em outros projetos.”
   

O trabalho publicado mostrou que a LQB-118 é efetiva na eliminação de células leucêmicas - tanto as de linhagens cultivadas pelos laboratórios, quanto as provenientes de pacientes com leucemia mieloide crônica. Além disso, foi igualmente efetiva contra células sensíveis e resistentes ao estresse oxidativo e aos quimioterápicos convencionais. Novos estudos preliminares também mostraram que, em camundongos com melanoma implantado, o tratamento (que consiste em injetar a substância no peritônio do animal) reduziu consideravelmente o tamanho do tumor, em apenas duas semanas.
   

Em paralelo, o grupo observou que a substância não é tóxica para as células sanguíneas normais. Inclusive, ensaios toxicológicos preliminares mostraram que não afeta as células da medula óssea. Para Raquel Maia, a baixa toxicidade representa o grande diferencial da nova substância: “A maioria dos quimioterápicos atualmente disponíveis reduz a massa tumoral, mas também reduz de forma acentuada as células sanguíneas normais responsáveis pela imunidade, o que não acontece com a LQB-118”.
    

Independente dos acertos que forem feitos com o setor produtivo, as equipes continuarão os próximos passos da pesquisa na fase pré-clinica. “Ainda buscamos entender quais vias moleculares estão envolvidas com a sensibilidade das células leucêmicas a esse novo composto e avaliar a sua citotoxicidade em outras neoplasias”, acrescenta Raquel Maia. “Também estudaremos outras abordagens alternativas para a síntese da LQB-118, buscando melhorar o rendimento químico e diminuir o custo de produção”, finaliza Paulo Ribeiro Costa.

Os pesquisadores Raquel Maia (Inca), Paulo Roberto (NPPN/UFRJ) e Vivian Rumjanek (IBqM/UFRJ).
 

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